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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

CineMaterna


Terça-feira (07/08) tive uma das melhores experiências sociais pós vida de mãe. Uma sessão de cinema destinada à mães/pais/qualquerum com crianças até 18 meses! O chamado CineMaterna.

Fui na Sessão que aconteceu no Casa Park, e passou o filme "O que esperar quando você está esperando". O filme em si já agradou todas as telespectadoras ali presentes.. afinal quase todas nós ali acabamos de sair dessa fase... enjôos, cansaço, dor na coluna, descoberta do sexo do bebê... etc, etc, etc...

Para quem ainda não é mãe/pai, pode soar estranho, mas realmente após o nascimento do bebê muitas vezes nos sentimos isoladas do círculo de amigos anteriormente frequentado... infelizmente muitos dos locais que vamos não oferecem um "apoio" adequado para o bebê, não possuem trocadores, local para colocar o carrinho, tem o som extremamente alto... dentre outros. Uma vez tive que trocar a Anastácia em cima da mesa de um restaurante... sorte que já era tarde, o restaurante já estava fechando e havia poucas pessoas no local.

O CineMaterna é um projeto em que nós mães temos um espaço especialmente destinado a nós.
A proposta é que as salas da sessão cinematerna tenham:

- som reduzido
- luzes ligeiramente acesas, para as mães poderem se deslocar na sala
- ar condicionado controlado, não deixando esfriar muito
- trocador
- tapete de EVA para atividades das crianças maiores

Além de podermos voltar a ter o prazer de assistir um bom filme na "telona", ainda encontramos um "zilhão" de mães na mesma situação que a gente. É prazeroso e divertido, e você sempre acaba fazendo amizade com a mãe ao lado: "Ah, que linda, quantos meses ela tem? qual o nome dela? está mamando no peito? ah, que benção..."... e por aí vai... E também é muito gostoso ver aquele monte de bebê, um mais lindo que o outro.. é cada perninha cheia de dobrinha, cada cabelinho, cada bochecha.. uma fofura só! Vi até mães com bebês recém-nascidos lá.

No site do Cinematerna (http://www.cinematerna.org.br/) você pode se cadastrar e ainda votar no filme que quer ver na próxima sessão. Além de receber a newsletter com a programação de sua cidade.
Aqui em Brasília temos sessão do Cinematerna no CasaPark e no Shopping Iguatemi, com sessões especiais no Pier 21.

Vejam o vídeo com o depoimento de várias mães, inclusive da idealizadora Irene Nagashima.



Aqui em Brasília  a fotógrafa Bárbara Valverde, do La Famille, faz a cobertura fotográfica das sessões, com fotos lindas que podem ser conferidas no seu blog: http://fotoslafamille.blogspot.com.br/
O trabalho dela e o blog são tão lindos que eu fucei ele do início ao fim.
Quero um dia poder ter o prazer de fazer um sessão de fotos com ela. Vejam o trabalho com recém-nascidos, é lindo e de uma sensibilidade incrível. Segue abaixo as fotos que tiramos na terça-feira:





Atenção para minhas unhas superfashion!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Considerações sobre sono


Acho que uma das principais características dos pais de recém-nascidos são as olheiras. Porque esses serezinhos tão amáveis já não nascem sabendo dormir a noite toda? Eis a questão.

O primeiro mês do bebê em geral é o mais difícil... é a tal da adaptação. Depois, cada dia vai ficando mais fácil, mais delicioso. As dores vão passando e o prazer de cuidar vai ficando cada dia maior.
É claro que tem momentos em que você acha que aquela fase difícil não vai passar, que as noites parecem intermináveis, que você acorda 6 vezes no meio da noite para dar de mamar e parece que você nunca mais vai dormir na sua vida... mas relaxa, pode parecer que isto está bem distante da sua atual realidade, mas acredite: isso passa!

Já ouvi histórias de recém-nascidos que dormiam a noite inteira desde o nascimento.
Parece mito, parece lenda... mas realmente eles existem. Foi o caso de uma amiga minha, cuja criatura abençoada pelos deuses hoje tem 5 meses. Não foi o caso da minha pequena. Porém... não por muito tempo!

Há uma semana que a Anastácia tem dormido de forma, digamos, beeeemmm satisfatória! O que significa 5 horas seguidas todas as noites!

É aí que as mãe pira. Os pai pira. Até os cachorros aqui de casa pira!

Na primeira noite que isso aconteceu quase fui ao delírio. Eu dormi, ronquei, sonhei, babei e até acordei preocupada! E ela lá, curtindo o soninho dos inocentes...

Eu posso falar para vocês a técnica que eu utilizei. Não é receita e sei que pode não funcionar com o bebê aí da sua casa... mas aqui tem funcionado que é uma belezura.

Chamo isso de "ritual do sono". Aproximadamente 21:30 hs, levo a Anastácia para dar boa noite para o papai. Depois coloco ela "mergulhada" na banheira, água bem quentinha, luz apagada e silêncio... são os "sinais" para que ela comece a entender que está na hora de dormir. Ficar mergulhada na água quente deixa ela "cansadinha", relaxada... é como quando a gente vai para Caldas Novas... dá aquela preguiça o dia todo, não é?
Depois da água quente, coloco uma roupa confortável e quentinha. Me ensinaram assim: o ideal é que a roupa que o bebê veste "agasalhe" ele... ao invés de ficar cobrindo com cobertas, que ficam soltas no berço e ficam propícias para o bebê sem querer se enrolar e até se sufocar nelas...
Assim, bem vestida, ela vem mamar. Parece que ela já sabe que aquele é o mamá da noite. É sempre bem mais demorado do que quando ela mama de dia... ela vai mamando e já vai "desmaiando" de sono. Acho que o inconsciente dela já está associando o momento do sono com o banho quentinho, a luz apagada, o silêncio...
E pronto. É isso.
Simples assim, sem traumas, sem ter que deixar o bebê lá chorando até dormir sozinho... porque eu sou dessas que  no dia em que o "ritual do sono" não funciona, eu balanço, eu acalento, eu canto, eu rezo, eu amo... com muita paciência até que a pequena caia naquele sono gostoso.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Maternidade realista


Antes de começarem a ler, um aviso: isso não é um post! É uma confissão. Dessas bem realistas, claras e sem entrelinhas. Esse é o tipo de coisa que se fala na terapia e não no blog para o livre julgamento de todos.
Mas, o que é esse blog senão a forma mais moderna de terapia gratuita?
Então, não me julguem. Sou uma reles mortal.

Os primeiro dias pós-parto são um misto de paraíso com a fase mais trash da sua vida. Você se procura, procura, procura e não acha. "O que sou, além de fartas mamas aguardando o próximo choro da cria?"
Vivendo de camisola, para cima e para baixo. Aproveitando cada segundo de sono da pequena para desmaiar também. Apenas um banho diário para manter a dignidade... Sem vaidade e vivendo uma rotina, digamos, insana, onde dia e noite se confundem frequentemente.

A vida vira e desvira do avesso em poucos dias. Te faz pensar como amor e dor podem rimar tão bem e como você é capaz de se doar mais do que qualquer dia você pode imaginar.

Você percebe que ter um filho não é lá muito parecido como quando brincava de boneca na infância. No final da brincadeira era só guardar tudo e ir dormir. Além disso, quando a boneca chorava você sempre sabia que era só colocar a mamadeira na sua boca que ela se aquietava. Ninguém brincava de dar o peito pra boneca. Na vida real, o misto de prazer e dor da amamentação, já choramingada aqui em um post anterior, me faziam pensar frequentemente: "... lá vem aquela boquinha de gilete de novo..."

Mas no final, só de sentir aquela respiração no ombro, ver aquele ensaio de sorriso meio torto, aquela conversinha sem sentido do vídeo anterior.... Sabe, o amor vai nascendo, mágico, aos poucos com o passar dos dias. Sei que nunca mais vou esquecer como ela era tão pequenininha e como ficava com o corpo mole depois de mamar.

Aos poucos a gente se encontra. A parte mãe dá espaço para a parte esposa, companheira, engraçada, amiga, irônica, festeira, jogadora de pôquer, imagem e ação, perfil e afins...

Não vou defender nunca aquele discurso de que ser mãe deu real sentido a minha vida. Antes de tudo isso minha vida já tinha sentido, amava ser esposa, amiga, viajante, assistente social, voluntária, espírita e por aí vai... Amava e amo, pois aos poucos vamos conciliando todos esses papéis, voltamos a viajar, voltamos a ter desejo, voltamos a bater perna no shopping e a tentar jogar alguma coisa no fim de semana.

Quero viver uma maternidade realista, dessas que sabe curtir a delícia, mas que também vê o sacrifício. Dessas que ainda tem vontade de dormir o domingo inteiro e curtir um filme do início ao fim sem ser interrompida por um chorinho.
Ser mãe é se sentir completa pela vinda desse serzinho e incompleta tentando se encontrar nesse novo papel.

Ser realista não é amar mais ou menos.
É amar de verdade, do meu jeito, do jeito que me construo.
Dia após dia.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Aprendendo com a Anastácia: 2 meses





Hoje nossa pequena completa 2 meses de vida! E não posso deixar de repetir: como o tempo passa rápido!

Hoje também é o primeiro dia em que ela dorme sozinha em seu quarto. Papai e mamãe conferiram umas  quatro vezes se a luminosidade do quarto estava adequada. Primeiro testamos a luz do abajur: muito claro. A luz da sala com uma frestinha da porta: o barulho da TV pode acordá-la. Tudo fechado e apagado: muito escuro. Ficamos com a luz do banheiro com a porta semi-aberta: assim mamãe pode enxergá-la quando ela acordar a noite para mamar.

Li muito sobre cama compartilhada, sobre a idade em que a criança deve passar para seu quarto, etc. Alguns dizem que adiar demais isso pode criar uma criança "dependente". Outros dizem que esse é um passo importante para devolver a "intimidade" do casal. Alguns dizem que cama compartilhada pode ser perigosa, pois alguém pode se virar e sufocar a criança. Outros dizem que dormindo no mesmo quarto dos pais, a criança se sente segura, e que isso pode até fortalecer sua auto-estima. Não ando muito afim de opiniões sobre o assunto, principalmente as que divergem da minha... rsrsrs... é tanta coisa e tanta opinião totalmente divergente uma da outra que fico até tonta.

Acredito que no fundo cada mãe e pai deve seguir sua intuição. Eu que sempre fui criada e acreditei que todo ser deve ser criado para o mundo, achei que esse é um bom momento para isso. Com certeza não iremos perder nosso momentos juntos, deitados na cama até meio-dia no domingo e fazendo aquela bagunça de final de semana:  a criançada toda (4, futuramente!) na cama do papai e da mamãe, fazer cabaninha e dormir todo mundo apertadinho lá dentro... Além de acolhê-la toda a vez em que ouvir um "Mamãe, tô com medo"...

Ademais, estou grudada na babá eletrônica com visão biônica, onde posso ver minha pequena dormindo tranquilamente em seu bercinho.

Às 22 hs, preparei uma banheira com água quentinha e escureci o quarto. Fiquei por alguns minutos com ela na banheira, seu corpo imerso, relaxando e ouvindo minha voz. Expliquei para ela que não precisava ter medo, que eu estava de olho nela o tempo todo, que nós vamos cuidar dela para sempre, estar ao lado dela sempre que ela precisar. Expliquei o quanto nós a amamos, desejamos e queremos que ela continue crescendo e tomando o mundo que a pertence desde já. Depois aconcheguei ela em meus braços, coloquei ela em meu peito e enquanto ela se alimentava de leite e de carinho continuei falando com ela... quando ela já dava sinais de satisfação, fiz uma oração pedindo a Deus que vele por seu sono e por sua vida.

E lá está ela, dormindo tranquilamente em seu quarto com cheirinho de lavanda, que dizem que é calmante. Nem aí pro papai e a mamãe que ficaram com um apertinho no peito... imagina só quando for pra faculdade!!


Diário da Anastácia - 2 meses

- Gosto de sorrir para a mamãe, para o papai, vovós, vovôs, titias, titios, para a pediatra, para o caixa do supermercado, para a aeromoça, para a vizinha e para qualquer um que passe na rua. Acho que em breve posso me candidatar a Distrital!
- Fico olhando para minhas mãos, as vezes no  meio de um movimento ela vai parar na minha boca e huuummm... que delícia!
- Todos ficam encantados com minhas bochechas.
- Começou a aparecer um sinal de "nascença" na minha testa, a pediatra disse que pode sumir até um ano de idade, ou então ficar aí pro resto da vida. Estou pensando aqui, que se esse sinal ficar, posso usar uma franja charmosa.
- Estou pesando 4,780 kg.
- Estou medindo 57 cm.
- Tenho o queixinho mais bonito do planeta! Pelo menos é o que a mamãe diz...
- Todo mundo diz que sou a cara do papai. Mas ainda há uma dúvida se puxei os olhinhos da mamãe.
- Já aprendi que de noite é hora de dormir.
- Acordo de 3 em 3 horas para mamar.
- Adoro passear com a mamãe no sling e faço a maior sucesso no shopping quando estou dentro do meu casulinho!
- Já falo várias palavras: au, é, é, ah, ah, hã, uh, uh... e várias outras coisas que na linguagem dos adultos significa: meu dia foi ótimo, o mamá estava delicioso, que horas o papai vai chegar?, a mamãe é linda, a titia me beliscou... dentre outros! Ah, e só a mamãe me entende! rsrsrs
- Adoro "conversar". A noite sempre conto para a mamãe e o papai como foi meu dia. Vejam no vídeo abaixo como ando faladeira:




domingo, 8 de julho de 2012

Aprendendo com a Anastácia: 1 mês

Primeiro filho é assim, aprendendo a cada dia. Ainda mais para mim, que não tinha outros bebês na família antes dessa pequena!
Vou registrar aqui sua evolução, que apesar do pouco tempo do lado de fora já parece tão grande.
Nos primeiros 20 dias era só mama, dorme, mama, dorme, mama, dorme e caga faz cocô nos intervalos.


Diário da Anastácia - 1 mês

- Gosto mais de ficar acordada durante o dia.
- Fiz meu primeiro passeio: no shopping!
- Acompanho os objetos com o olhar.
- Firmo o pescoço, virando a cabeça para os lados.
- Tive só 3 noites de cólicas.
- Reconheço a voz da mamãe e do papai.
- Já balbucio alguns sons. O mais comum é "au". E não, não estou imitando um cachorro.
- Já não choro ao tomar banho.
- Já tive minha primeira prisão de ventre, 3 dias! Como mulher sofre... preciso de Activia!
- Vi o Corinthians ser campeão da Libertadores!
- Ah, e já comecei a sorrir, olha só:



Minha pequena já está tão grande... como o tempo passa rápido! (Essa frase é típica de mãe... não achei que fosse usá-la tão rápido!)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A dor e a delícia de ser mãe

Bebê recém saído do útero + mãe de primeira viagem = essa cara é de prazer ou dor?

Porque raios ninguém me falou que amamentar dói? Ou melhor, pode doer, se... Como é que passei uma vida inteira, uma gravidez inteira sem essa informação?
Sabe, me preparei friamente para a dor do parto. "Trabalhei meu psicológico" para isso.
Preparei meu corpo e alma. Passei tranquilamente por essa fase, conforme já desabafado aqui em 7 relatos.

Mas aí veio a amamentação. E junto com ela a dor mais intensa que eu já havia sentido. Dessas de dar vontade de bater com a cabeça na parede.

Amamentar precisa ser antes de tudo uma escolha. Uma escolha pessoal, diga-se de passagem. Da mãe, mulher e mamífera que vos fala. É claro que o apoio do maridão e da família são essenciais. Mas essa escolha deve ser pessoal, e deve ser agarrada com unhas e dentes, senão se desiste no primeiro seio rachado.

Minha saga: primeiro, o leite demorou a "descer". Nada fora do normal, mas o suficiente para uma mãe despreparada se desesperar levemente. Eu disse levemente. Depois me explicaram que é normal o leite demorar até 3 dias para descer e que para o bebê o colostro é suficiente nesses primeiros dias de vida. Mesmo assim, o pediatra passou um complemento (o famoso NAN). Demos o complemento por uns 3 dias, mas só quando ela chorava muito e depois de deixar ela sugar muito o peito. Nesses primeiros dias o peito ainda não havia rachado e não doía tanto. Era suportável.

Depois lá pelo 4º dia, o leite desceu. Aí foi só alegria. Ou não.
Bom, os dois seios feriram simultaneamente e eu sentia muita dor ao dar de mamar. Suportei tudo calada. Mentira. Chorei muito. Chorei escondida no banheiro. Chorei aos prantos abraçada ao maridão. Chorei antes de colocar o peito na boca dela. Chorei calada, lágrima rolando enquanto ela se deliciava no peito.


Não tenho vergonha disso. Não desisti. Suportei cada segundo de dor e continuei a alimentar minha cria. Como toda mãe que a natureza preparou: com útero, ovários e mamas para a deliciosa tarefa da maternidade.

O que aprendi:
(ou melhor, estou aprendendo...)

- Prepare seus seios: tome sol nos seios durante a gestação, faça o bico (caso você não tenha), passe/esfregue bucha vegetal durante o banho e faça qualquer outra simpatia que sua vó ensinar. Vale de tudo para preparar os seios para essa árdua tarefa.
- Esqueça a vergonha e a timidez: uma hora ou outra todos verão suas peitolas, isso é inevitável. Acostume-se com a ideia!
- Beba muita água!
- Ajude o bebê a fazer a "pega" correta. Isso quer dizer, auxiliar ele a abocanhar a maior parte de auréola possível. Vale empurrar mais pele para dentro da boca enquanto ele mama. Ou sair puxando com o dedo os lábios do bebê para fora (fazendo a famosa boca de peixinho). Nesse quesito vale também ver vídeo no You Tube ensinando.
- Sutiãs de amamentação nunca serão sexys! Mas, em compensação, você ficará com seios fartos, dignos de Pâmela Anderson.
- O correto é bebê no peito e não peito no bebê. Senão você ficará igual eu, toda dura e retorcida tentando chegar o peito no bebê e no final ainda ficará com uma baita dor na coluna!
- Coloque o bebê em diversas posições para mamar. Cada vez que o bebê mama, sua boquinha pega em determinadas partes do seu peito/mamilo. Mudando de posição, a cada mamada essas partes serão outras, aliviando a dor, caso o seu peito esteja machucado.
- Manter a calma. Você não é e nem será a última a passar por isso, e acredite, essa fase vai passar! O peito vai cicatrizar, a dor vai sumindo e o prazer de amamentar vai surgindo!
- Passe pomada de lanolina pura, ajuda e muito! E passe também o próprio leite no mamilo após cada mamada, dizem que é cicatrizante!
- Não entre em pânico, isso não resolve nada!
- Relaxe! Se entregue! Se depois de tudo você ficar com os peitos murchos e caídos, você faz uma plástica! Afinal, vivam os avanços da ciência!

Um seio ainda está rachado. O outro praticamente cicatrizado, mas com uma leve dor ainda.
Amamentar não tem preço. Sei que vai valer a pena, cada dor, cada rachadura, cada lágrima. Ver a minha pequena com o corpinho mole depois de cada mamada, aquele leitinho doce escorrendo no cantinho da boca. Matar sua sede, saciar sua fome.

Estou aprendendo dia após dia a suportar a dor. Dor maior do que eu já achei que poderia suportar. Por uma causa maior. Estou aprendendo a me doar. Aprendendo que não tenho controle. 

Aprendendo que tenho escolha. E ela é minha escolha maior.



sábado, 16 de junho de 2012

Relato do Parto - Parte 7 de 7


- Tá saindo a placenta? - perguntei curiosa.
- Tá sim. Tá saindo, já tá acabando.

Eu não sentia nada. Não sei se por causa da anestesia no local ou pela anestesia da emoção. O pediatra ficou segurando ela ao meu lado enquanto a placenta saía.

- Pronto, terminamos, saiu.

O pediatra levou a Anastácia para outra sala, para pesar e fazer aqueles primeiros exames. O maridão, previamente orientado, foi atrás. Culpa do caso Pedrinho e da novela Senhora do Destino. Brincadeira.
Desde de que me descobri grávida a gente conversava sobre isso:

- A mistura é tão grande que o bebê que entregarem pra gente a gente tem que aceitar. Pode ser negro, japonês, branco, cabelo liso, cabelo cacheado e até loiro do olho azul.

Então, o maridão foi atrás conferir a colocação da pulseirinha de identificação.
A médica começou a me costurar.

- E agora, posso beber água?

Não conseguia pensar em outra coisa. O dia todo sem um copo d'água é tortura. A médica pediu para alguém trazer.

- Gelada, por favor.

Enquanto ela me costurava eu bebia aquele copo de água como quem encontra o oásis no deserto. Acho que era uma cena bizarra: eu de pernas abertas, tendo a vagina costurada, sangue no meu colo e eu lá me deliciando num copo d'água. Melhor copo de água que já bebi na vida.

- Rasgou muito? (eu e meu vocabulário totalmente adequado)
- Mais ou menos. Eu cortei para facilitar a saída do bebê. Você não sentiu porque eu dei uma anestesia antes. A gente corta um pouquinho aí quando o bebê sai acaba abrindo mais.

Na hora eu estava tão feliz que nem me indignei com a situação. Fiquei lá sendo costurada por uma episiotomia que eu não pedi! Sinceramente, aqueles pontos estavam me incomodando mais do que parir um filho! Literalmente.

- Pronto?
- Calma, falta um pouco.
- Pronto?
- Tô na metade mais ou menos.
- Pronto?
- Tá quase.
- Pronto?
- Tô terminando.
- Pronto?
- Quase pronto... peraí, tenha calma, tô acabando.

É, eu estava agoniada com aquilo. Mas, enfim, pronto.
Me limparam e fui colocada numa maca. Recebi uma injeção na perna, da qual ninguém me deu satisfação.
Fiquei lá deitada. Haviam mais duas macas com pessoas no centro cirúrgico, fiquei pensando porque essas pessoas estariam ali. Apendicite, quem sabe. Ou então um tumor, ou uma doença qualquer.
Já eu estava ali para dar a luz, trazer uma vida ao mundo. Era a primeira vez que eu estava em um centro cirúrgico e era por um motivo tão bom. Durante longos minutos passaram muitas coisas na minha cabeça... Cadê o "padioleiro" que não vinha me buscar?

Eu ainda sentia sangue escorrendo pelas minhas pernas. Isso não me incomodava. Ainda desceria sangue por alguns dias (no meu caso 15) e isso não é exclusividade de quem teve parto normal. É um saco, mas depois de 9 meses de trégua, até que não era tão ruim assim.

Cheguei ao quarto que estava cheio, com todos querendo ver o rostinho da Anastácia. Ela ainda demorou a subir, apesar de já estar pronta há alguns minutos.
Lá estávamos nós, eu e o maridão, havíamos vencido essa importante etapa da vida. Nossa família se iniciava ali. E o que mais importava, cheia de saúde!

Ela veio ao mundo no dia 30 de maio de 2012, às 18:52 hs. Pesava 2.970 gramas e tinha 49 cm de estatura. Seu rosto estava inchado, dando a impressão de que seus olhinhos fossem puxadinhos como o da mãe. Seus cabelos são negros e aparentemente lisos, fazendo uma leve ondulação nas pontas. Sua pele parecia bem branquinha naquele dia, mas já está ficando morena cor de jambo. É magrelinha e sua bunda é verde.

Tinha um cheirinho doce que eu nunca vou me esquecer. Não se parece em nada com aquele típico cheiro de sabonete de bebê. É um cheiro adocicado, que eu nunca havia sentido, cheiro de vida que acabou de sair do útero.

Parece piegas dizer isso, mas: nunca vou me esquecer deste dia. Com ou sem relato essas cenas ficarão para sempre em minha memória.

Foi você quem me fez mãe.


...


Algumas considerações/críticas sobre o parto:


- Ainda precisamos avançar muito para, de fato, humanizar o parto. A mulher ainda é colocada à parte do saber médico, como se ela não fosse a protagonista de sua própria vida.
- A médica não me permitiu escolher se eu queria, ou não, que ela fizesse uma episiotomia. Ela simplesmente me cortou sem me falar nada. Com certeza para "agilizar" o nascimento.
- Não me permitiram comer, nem beber nada, mesmo depois de feito os exames que indicavam que realmente estava tudo bem com o bebê e que o parto seria normal.
- O bebê foi separado de mim após o nascimento, e ainda demorou para "subir" para o quarto.
- Em momento algum me explicaram porque estavam receitando as medicações. Eu já sabia qual era a indicação de ocitocina porque me informei bem sobre o parto normal e suas intercorrências.


No final o que importa, é que deu tudo certo. Como o maridão sempre falou.






quinta-feira, 14 de junho de 2012

Relato do parto - Parte 6 de 7


A bolsa tinha estourado há mais de 7 horas. A médica já havia dado o ultimato no primeiro momento da consulta, ainda na sala da emergência: após o rompimento da bolsa teríamos 8 horas para que o parto normal acontecesse, senão era cesárea. Sob o risco do bebê entrar em sofrimento por falta de líquido amniótico.

Já havia passado das 18hs quando a técnica de enfermagem veio nos chamar para o próximo exame. Uma ecografia, que eu não havia entendido direito para que. Depois a médica nos explicou: era para ver se havia cordão em volta do pescoço da bebê.
Eu já havia lido que isso não era impedimento para o parto normal: na barriga o bebê não respira, não existe essa desculpa de que o bebê será sufocado pelo cordão. Nasce, retira-se o cordão do pescoço, o bebê respira e pronto. Isso é desculpa de médico que quer forçar cesárea.

O maridão me empurrava na cadeira de rodas para cima e para baixo.
Quando eu me imaginava em trabalho de parto, pensava em uma mulher mais ativa, andando com as próprias pernas. A realidade era outra, eu realmente sucumbi. Sentir as dores da contração e andar ao mesmo tempo com certeza eram coisas incompatíveis naquele momento. Eu sentava na cadeira e curtia as minhas dores com dignidade. Ainda bem que o maridão encarou todo o resto.

Descemos pelo elevador. Durante a ecografia o médico não nos contou muitas novidades, além do que já sabíamos: peso, estatura, tempo de gestação. As contrações ficavam cada vez mais fortes. Durante cada uma delas o médico precisava parar o exame para que eu pudesse me contorcer, dobrar as pernas, gritar um pouco. Com classe, é claro. 
Não fui dessas que gritam acordando todo o hospital. Ou que pronunciam palavrões impronunciáveis. Eu era discreta. Eu só me lembro de dizer: "ai ai ai ai ai...".
O maridão depois me disse que eu falava: "jesus amado, me ajuda!". Eu não me lembro direito, acho que a cada dor eu entrava em um transe do qual só as lembranças mais fortes me ficaram.

Durante o exame a médica chegou novamente e começou a conversar com o médico que fazia a ecografia. Foi então que ela disse que só queria saber se havia circular de cordão. Não havia. Mais um ponto para nós!

Enquanto eu me contorcia durante mais uma contração, a GO disse:
- Já está acabando a ecografia?
- Sim, estou terminando.
- Ela pode continuar deitada na maca, que eu vou fazer um toque para ver a dilatação, acho que deve estar quase na hora!
Exame terminado e mais um toque:
- 8 cm! Vamos direto para o centro cirúrgico - falou e olhou para o maridão.

Bingo! Havia chegado a nossa hora. Tudo perfeito: líquido amniótico bom, dilatação suficiente e o bebê já havia "descido". Eu pensava:  mas já?
Sim, tinha passado tão rápido. Na hora me lembrei dos relatos medonhos que já havia lido, do sofrimento durante o trabalho de parto e tal. E pensava: tudo o que eu tinha vivido até ali tinha sido tão tranquilo! Fichinha!

Me levaram para o tal do centro cirúrgico. Na ante-sala deram uma roupa para o maridão, que ficou lá se trocando. Vi a médica se arrumando também, colocando aquela roupa verde, touquinha e luvas.
Me pediram para levantar da cadeira de rodas e ir andando para a sala de parto. No caminho fui parada por mais uma contração. Quando ela passou continuei.
Me pediram para tirar o sutiã e o avental. Calma, lá vem outra contração. Pronto. Me sentei. Nua, só um lençol por cima.
A cadeira do parto era confortável. Me deixava numa posição sentada, com a bunda quase para fora da cadeira, onde tinha um banquinho no qual a médica ficaria sentada para "pegar" o bebê. Não havia panos me impedindo de ver todo o processo acontecendo. E tinha dois "ferros", um de cada lado, onde eu poderia segurar para fazer mais força.
A médica chegou.

- Quando a contração vier você faz força.
- Mas já?
(o maridão ainda nem havia entrado na sala, depois ele me explicou que a primeira roupa que deram para ele não havia servido.)
- Já! Faz força, faz força de fazer cocô!
- Mas... e se eu fizer cocô? (isso não me saía da cabeça...)
- Não tem problema, pode fazer cocô que a gente limpa.

Vi o maridão entrando na sala enquanto eu fazia a primeira força. Já deu para ver a cabecinha dela.

- Não vai desmaiar, heim pai!
- Não se preocupa, eu vi muito vídeo no You Tube.
Todos riram, eu também.
Olhei para ele e pensei que realmente eu havia escolhido certo.

Vi a médica com uma injeção na mão. Senti uma picada na vagina.
Eu pensei: - Deve ser anestesia local. Mas ela nem me perguntou nada, se eu queria ou não. Como assim? Mas que falta de respeito.
Antes que eu pudesse pensar demais veio a segunda contração.

Eu agarrei com todas as minhas forças as barras de ferro e fiz a força mais intensa do que qualquer prisão de ventre já havia me feito fazer.

- Ótimo, tá fazendo certinho! Ela tá vindo, tá vindo!
Senti a cabeça dela saindo.
- Isso, continua! Faz força que ela já tá aqui!
Senti o corpo dela saindo, rapidamente. Ela sabia nascer. Nossos corpos sabiam trabalhar em harmonia.

Toda a dor passou. Como mágica... não sentia mais nada. Meu corpo era só adrenalina de ter conseguido. Não conseguia me conter.
Na minha imaginação, era essa a hora em que eu pegaria minha filha nos braços e choraria copiosamente.
Não foi o que aconteceu.
A médica cortou o cordão e colocou aquele bebezinho no meu colo. Por segundos fiquei olhando ela chorar, passei a mão em seu rosto. Não chorei. Só sorria, olhava para ela, para o maridão... por segundos... longos segundos... ela ficou ali no meu colo chorando e eu a olhando paralisada diante da cena.
O pediatra a pegou, limpou um pouco seu rosto com o pano. Pegou ela nos braços e ficou com ela ao meu lado, ela não chorava mais. E eu a olhava e passava a mão em seu rosto. Pela primeira vez falei com ela:
- Anastácia, a mamãe tá aqui.

Infelizmente não temos fotos desse momento. A clássica: mamãe, papai e bebê melecado, recém tirado do útero não fará parte do nosso álbum de família.
Descemos para a ecografia sem a máquina fotográfica, que ficou no quarto. Não imaginávamos que após o exame já iríamos direto para a sala de parto. Todas essas cenas ficarão registradas somente nas nossas lembranças. E a Anastácia poderá sentir cada momento ao ler esses textos, quando for maior.

Ah, só pra constar: eu não fiz cocô.

Continua...
(Sim, ainda tem continuação... tem placenta para sair, episiotomia, pontos, a chegada no quarto...)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Relato do Parto - Parte 5 de 7



É essa hora que separa os meninos dos homens, diria o maridão. Ou como convinha naquela hora: as meninas das mulheres.
Sim, a dor. Se durante a gravidez eu já "trabalhava o psicológico" para vivenciar a dor do parto, aquela era a hora decisiva. Quanto de dor eu era capaz de suportar?

A dor do parto será sempre um mistério para quem nunca a vivenciou. Me disseram uma vez que é uma dor de cólica, multiplicada por cem. Me disseram que é uma dor suportável. Me disseram também, ser insuportável. Já compararam com um tijolo saindo da "perseguida", já imaginou? Ou uma melancia saindo pelo buraco do limão (hã?).
Mas, o que é a dor para cada um? Já ouvi dizer que dor nos rins é a pior que existe. Nunca senti. Dor de dente. Nunca senti também. Cortar o dedo no papel. Bater o dedo e a unha cair. Dor de saudades...
Acho que dor é algo intraduzível, indescritível. Sabe quem sente. E cada um sente de uma forma.
Por isso não se assustem, ou se acalmem, com a minha visão da dor ou do parto.

Sim, havia chegado a hora de encontrar meus monstros, meus limites. Seria só eu, mesmo que o maridão estivesse lá para segurar minha mão. Só eu era capaz de dizer até onde iria, e se iria. Precisava vencer o medo e a dor para chegar onde queria.
Quantas mulheres já passaram por isso? Eu pensava a cada contração. Minha tataravó, minha bisavó, minha vó, minha mãe... E era pela força de todas essas mulheres, que estávamos ali, agora, eu e minha filha.

Entramos no quarto. Acho que já eram umas 15:30 hs. Logo as contrações começaram. Vinham bem devagar, nem me incomodavam. Enquanto isso eu conversava com o maridão e a cunhada que apareceu no quarto, achando que a menina já havia nascido. Maridão reclamando que estava com fome. Pediram um lanche para os dois. E eu ali, na seca. Só no soro e na ocitocina.

Logo me encaminharam para a Cardiotocografia. Exame chato. As contrações começaram a ficar bem doloridas.
Me colocaram deitada de costas. Quando eu deitava assim a neném subia em direção ao meu peito e apertava minhas costelas. Doía demais, isso antes de estar em trabalho de parto. Agora imagina essa dor aliada a uma contração! Tentava me concentrar no exame, tava difícil. A técnica de enfermagem me deu um botão que eu devia apertar quando a neném mexesse. Mas quem disse eu sentia ela mexer? Só sentia a dor da contração e a dor na costela. Já tinha uns 20 minutos que estávamos ali. A cada contração eu apertava bem forte a mão do marido. Uma hora até tentei morder. Ele não deixou, me deu um pano.
O exame não estava progredindo como o esperado, eu precisava sentir ela mexer! Não sentia. Comecei a apertar a merd#*& do botão a cada contração. A médica chegou, disse que realmente o resultado do exame não era satisfatório, o coração dela não respondia adequadamente durante as contrações.
Acho que foi mais ou menos aí que eu soltei pro maridão:
- Será que não é melhor fazer logo uma cesárea?
- Calma, vai dar tudo certo. Vai ser normal.

A médica pediu para me virar de lado. Ufa! Que alívio... até as contrações pareciam mais tranquilas nessa posição. Foram mais uns 20 minutos no exame. O aparelho conseguiu pegar melhor o batimento cardíaco da bebê, e... estava tudo certo!
Enquanto ainda estava deitada, a médica fez outro toque.
- 5 cm!
Já estávamos na metade do caminho! Maravilha!
E passou mais dois remédios no soro (plasil e buscopan) para agilizar o processo.

Me levaram de volta para o quarto. Quando chegamos o maridão comeu o lanche apressado, um X-alguma coisa e um copão de suco. E eu lá, a boca até seca de vontade de tomar pelo menos um copo de água.

Era umas 17:30 hs. Continuei curtindo minhas contrações.
- Deita - o marido falava.
- Pede uma bola para fazer exercícios - falava a cunhada.

Eu não aguentava deitar. Não queria fazer exercício nenhum. Só queria "curtir" aquela dorzinha. Que vinha e ia. E era totalmente suportável, tranquila. Era só um "ai ai ai ai" bem baixinho a cada contração.
Eu só ficava pensando: quanto tempo mais iria durar? Será que ia demorar? Será que aquilo já era o ápice da dor? Ou viria algo pior?

Estava chegando o momento... O encontro entre o fim e o começo.


Continua...

......


"A dor do parto é uma dor muito sábia. Vem e vai a cada contração, como as ondas do mar, oferecendo um tempo abençoado para respirar e descansar até o proximo mergulho. Aos poucos a maré sobe e as ondas crescem, ficam imensas e precisamos da humildade da entrega, de oferecer corpo e alma à prova máxima da natureza humana."

Eleonora de Moares

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Relato do Parto - Parte 4 de 7



Chegamos ao hospital, ansiosos e com fome. Acho que já era umas 13 hs.
Se antes eu já andava estranhamente com essa barriga eeeenooorme, agora com essa toalhinha no meio das pernas eu estava digna de chacota.
Enfim: atendimento de emergência, ficha do plano de saúde e rumo a sala da GO plantonista (ginecologista-obstetra). Antes de chegar lá, ela (a GO), já estava me chamando: - Agda! Agda! É você Agda?
- Sim, sou eu. (Eita atendimento eficiente!)

Ela (a GO) tinha uns 32 anos, eu acho, mas tinha carinha de 18. Magrinha, cabelos curtos, calça meio boca de sino e um jeito de falar meio "adola" (adolescente). Entramos na sala. Não conseguíamos nem sentar, adrenalina a mil.
Fomos despejando todas as informações: a bolsa estourou às 11:30, primeira gravidez, 39 semanas e 5 dias. Ah, e parto normal, por favor!
E lá fomos nós para o tal do "toque". 2 cm de dilatação! Isso era ótimo para quem estava com o colo totalmente fechado a uma semana.

- Certo, vamos internar você. Colocar soro com uma medicação para auxiliar o trabalho de parto. Jejum total, ok?
- Hã?
- Não pode comer nada. Nem beber nada. Isso é uma precaução caso o seu parto não evolua como o esperado e tenhamos que fazer uma cesárea.
(Caraca, mas eu nem almoçei! E tô morrendo de sede! Nadica de nada?)
Ela imprimiu diversos papéis. No amarelo escreveu: parto normal. (ótimo, acho que ela entendeu minha vontade), passou um exame (cardiotocografia) que mede os batimentos cardíacos do bebê durante as contrações (para ver se o bebê resiste/aguenta o parto normal) e uma ecografia para ver se tinha circular de cordão (cordão em volta do pescoço).
Nos encaminhou para a internação.

Lá assinei diversos papéis, que o marido leu atentamente. Mas, não tinha quarto disponível. Estavam desocupando um que ainda seria limpo. Nos encaminharam para o pronto socorro para esperar o quarto.

Diversas macas separadas por panos numa sala minúscula. E o banheiro estava sujo. Fiquei pensando nas mulheres que tem que dar a luz nessas condições, ou pior, num corredor de hospital público. Deve ser difícil. Agradeci a Deus pelo nosso plano de saúde.
Antes que eu pudesse estender minhas reflexões, maridão começou a avisar os familiares e alguns amigos de que realmente eu estava em trabalho de parto. Daí em diante, váááaarias ligações. Maridão conversou com todos, explicou que a bolsa tinha estourado mais cedo e tralá lá lá la la....

Alguns ficaram mais nervosos do que nós dois ali, sozinhos, naquele cubículo cercado de panos azuis. Conversamos sobre coisas bobas, ficávamos em silêncio as vezes. Pura intimidade e adrenalina misturadas.

Até aí eu não sentia nada, nada de contrações ou dores. Eu estava calma. Louca pra sentir umas dorezinhas e ter a certeza de que tudo correria como o esperado. Fiquei dando uma conferida no Facebook pelo celular e tirei uma foto da pulseira de identificação para o Instagram. Depois troquei algumas mensagens com uma amiga, também grávida e também com 39 semanas, contando a emoção de ter entrado em trabalho de parto.

Logo a técnica de enfermagem veio com o soro. Eu havia lido em diversos locais que no parto normal humanizado é permitido a mulher comer e tomar líquidos. Li também que não era necessário ficar com o soro na veia. Mas, achei melhor não questionar, afinal era hora de confiar na médica e não queria, de maneira alguma, colocar em risco a saúde da minha bebê.
Então, entrei no soro.
Aquele dia seria marcado pelo "primeira vez na minha vida". Eu nunca tinha sido internada. Nem por corte na testa na infância. Nem dengue. Nem desidratação.
Era a primeira vez na minha vida que iria tomar soro. Primeira vez que iria levar uns pontos. Primeira vez que iria parir. Últimos momentos grávida, primeira vez mãe.

Muita emoção para um dia só.
Após alguns minutos nos encaminharam para o quarto. E nada de contrações até agora.

Continua...

sábado, 9 de junho de 2012

Relato do parto - Parte 3 de 7

Observação: Se você não gosta de ler palavras como vagina, cocô, parir e afins não continue a leitura deste relato!

.....


30 de maio de 2012. Eram 11:30 hs, eu ainda estava dormindo, como era de costume nas últimas semanas: dormindo tarde, acordando tarde. Até aquele momento não tínhamos notícias de que o parto estivesse próximo: na última ecografia a placenta ainda estava grau II, o colo do útero estava fechado e nada de sair o tal do tampão. Na última consulta com a médica, ela marcou o retorno para dali a uma semana e ainda completou:

- Do jeito que essa menina está não sai essa semana. Então, como é provável, até a próxima consulta!

A próxima consulta era amanhã. Fiquei deitada na cama sonolenta, com aquela preguiça danada de levantar. De repente senti uma gosminha lá embaixo (sim, na vagina), e pensei:
- Deve ser o tampão, amanhã na consulta já terei uma notícia boa para a médica!

Continuei deitada: - Depois eu limpo isso - pensei.
De repente, sem que eu pudesse controlar uma água escorreu entre minhas pernas. A bolsa! A bolsa! A bolsa? A bolsa??? A bolsa rompeu? Será?
Corri para o banheiro, queria ver a cor, o cheiro, a textura daquilo. Era transparente, meio gelatinoso, tinha um cheiro estranho de produto de limpeza que agora não sei explicar. Fiquei olhando aquilo por um tempo, acho que sem acreditar. Lembrei do marido falando com ela na noite passada, falando sério com ela que já estava na hora de nascer.
Já estava na sua hora, e havíamos esperado o seu momento. Ela havia escolhido, queria vir ao mundo e estava pronta para essa etapa da vida: nossa "separação", sua vinda ao mundo. Esses seriam meus últimos momentos grávida, logo estaríamos com ela nos braços.

Eu liguei para o marido (como nos filmes, que emoção!):

- Pretinho, acho que a bolsa estourou.
- Estourou? É sério? Tô indo praí. Tô chegando.
E desligou.

Peguei uma toalhinha, coloquei no meio das pernas para conter a água. Liguei de novo para o marido, acho que com medo dele se desesperar, sair correndo sem prestar atenção no trânsito.

- Oi, não precisa ter pressa não, tá? Tô tranquila, vai demorar ainda, pode demorar horas...
- Tá bom, tô tranquilo. Relaxa que tô tranquilo.
- Dirige com calma, tá?
- Tá, tô indo.

Eu estava com fome. Já era meio dia, e eu nem tinha tomado café-da-manhã. Fui para a cozinha, comi umas bolachas e tomei leite com ovomaltine. Passei no quartinho da Anastácia, conferi as malas. Depois tomei um banho, coloquei um vestido e a toalhinha no meio das pernas novamente.
O maridão chegou, começamos a organizar as coisas no carro: duas bolsas, bebê conforto, ecografias da gravidez, cartão do plano de saúde, celular e o carregador. Ah, um travesseiro também, vai saber como são os travesseiros do hospital...
Eu já havia ligado pra médica, e ela havia me tranquilizado, realmente pela descrição a bolsa havia rompido, eu devia manter a calma porque provavelmente o bebê nasceria mais para o final da tarde, uma vez que eu ainda não sentia nenhuma contração. Para nosso azar o trabalho de parto coincidiu justamente com o plantão da nossa médica em outro hospital, e ela não poderia sair de lá para nos atender. Já sabíamos disso e estávamos preparados para fazer o parto com o médico plantonista, se fosse o caso. E era. Eu rezava para que o plantonista fosse bonzinho e esperasse a hora da nossa filha nascer, pelas vias naturais. Tinha muito medo que o médico ficasse pressionando ou inventando desculpas para forçar uma cesárea.

Vai dar tudo certo, pensei assim, o marido que me ensinou. Então vamos para o hospital!

Opa! Peraí, tô com vontade de fazer cocô. Sim, já haviam me dito isso: que a mulher em trabalho de parto sente vontade de "evacuar" (ô palavrinha feia! prefiro fazer cocô mesmo.). Isso acontece porque a cabeça do feto empurra o reto e provoca o desejo de evacuar. A natureza trabalhando para que muitas mamães não passem pelo constrangimento de fazer cocô enquanto dão a luz.  Maravilha então! Nunca fiquei tão feliz diante de uma vontade de fazer cocô!

Pronto. Agora vamos para o hospital!


Continua...

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Relato do parto - Parte 2 de 7

Eu já estava ansiosa e cansada. Contava as semanas e os dias, e sempre acordava pensando: "será que vai ser hoje?" Já estava assim há umas duas semanas, quando completei 37 semanas e achava que a qualquer momento o parto poderia acontecer. Mas... não acontecia... e cada dia parecia passar devagar demais para a minha necessidade de controlar as coisas.
Pensando aqui, acho que esse foi o primeiro motivo que me fez hesitar. Sempre gostei de controlar as coisas, prever os acontecimentos, planejar o dia de amanhã... e essa falta de controle já estava me matando. Vi algumas conhecidas/amigas agendar o parto cesáreo e saírem de lá felizes com seus rebentos nos braços, com 38 semanas de gestação... e eu ali, gravidíssima ainda.
Mesmo assim, acalmava meu coração e rezava pedindo a Deus compreensão.
Quando completei 38 semanas parei de trabalhar. A partir daí os dias passavam ainda mais devagar, em casa só esperando a "nossa hora". Ficava as tardes na internet lendo fóruns de grávidas (a maioria já havia dado a luz...) e dicas para estimular o trabalho de parto.

Chegamos então a 39 semanas e 4 dias de gestação, eu já havia apelado pra lua, comer abacaxi, estimulação do mamilo, andar de carro em rua esburacada, rebolar em cima da cama, colocar o terno do marido, e bizarrices incontáveis... porém nada acontecia!

Era 29 de maio de 2012. Durante a tarde eu havia lavado o carro, afinal acho que lavar carro estava a altura de uma boa faxina, mais uma dica da internet para estimular o trabalho de parto.
Chegava ao fim mais uma noite qualquer, após Cheias de Charme, Jornal Nacional e Avenida Brasil. Eu havia acabado de receber a notícia de que minha mãe chegaria na sexta-feira e ficaria por duas semanas comigo, cuidando de mim e ajudando com a Anastácia.
Mas tinha um porém, Anastácia ainda estava aqui dentro!
Foi quando hesitei pela segunda vez, decretei que se ela não nascesse até segunda-feira, eu marcaria a cesárea para a terça! Afinal, na segunda-feira seria a última mudança de lua (cheia!) e eu já teria passado das 40 semanas. Me convenci de que eu já havia esperado o suficiente da natureza. Havia dado a chance e assim, mentindo para mim mesma, esperava ter minha consciência tranquila de que eu havia feito o que estava ao meu alcance.

Mas a natureza é bem mais sábia que eu.
Nesta noite, 29 de maio, o maridão encostou seu rosto bem próximo da barriga e falou sério com a Anastácia:
- Minha filha, sua vó vai chegar na sexta-feira pra ajudar a cuidar de você. Já está na hora de você nascer.
Durante a noite, ele me contou que conversava com ela no sonho:
- Anastácia, eu não vou mais falar com você! Só falo com você agora, quando você estiver aqui fora!

Então Anastácia foi muito obediente. A sua hora havia chegado. Ela seria uma geminiana, alegre, curiosa e comunicativa.

Continua...

Relato do parto - Parte 1 de 7


Bom, começando do princípio, quando uma mulher faz uma escolha para o parto, é natural que as pessoas que convivem com ela queiram saber o porquê, motivos e circunstâncias que a levaram a essa escolha. 

"Mas foi planejado? Você quer parto normal, tá louca? Olha que vai ficar toda relaxada. Você não tem medo de doer? (Sim, e tenho medo de barata voadora também.). E se a criança entrar em sofrimento? Espero que dê tudo certo com vocês, mas que eu saiba, com o desenvolvimento da ciência a cesária é muito mais segura. Ah é porque você nunca sentiu uma dor de contração antes. Mas você sabe que pode ser que você não consiga, né? Porque minha cunhada/amiga/vizinha/amulherdopadeiro ficou 12 horas em trabalho de parto e acabou com cesárea porque... e por aí vai."

Muitas vezes ouvindo tudo isso batia uma insegurança, mas no meu íntimo eu tinha certezas e convicções tão fortes que me faziam ignorar qualquer comentário do tipo. Eu sei que tudo era fruto de uma preocupação até saudável de gente que gosta da gente, que se preocupa, que quer nosso bem e então eu tentava compreender e ao mesmo tempo não me preocupar demais com esses "conselhos".

Durante os 9 meses, me informei, li muito (O que esperar quando você está esperando), assisti muito vídeo no You Tube e programas de TV sobre o assunto ("Um bebê a cada minuto" da Discovery Home & Health, aliás recomendo muito para as grávidas, sexta às 20hs, pois nos EUA o parto normal é bem mais incentivado)... enfim, procurei todas as vias para me sentir segura sobre o que realmente queria.

Não vou dizer que não hesitei, duvidei ou me questionei nesse período, sou humana... mas uma força maior me movia, a certeza de que nós mulheres somos capazes de dar a luz, temos forças muitas vezes desconhecidas por nós mesmas e na maioria das vezes até reprimidas na atualidade. Sim, somos capazes, esse arquétipo de mulher selvagem, esse instinto, intuição de mulher e mãe me movia. Sim, somos geradoras, criadoras, cuidadoras... e capazes de retornar a nossas origens, de nos empoderar desse momento tão sublime que é dar a luz a um filho.

Tudo isso, não me fazia aceitar que um procedimento cirúrgico, em que seriam cortados minha pele e meu útero, fosse aceitável, sem antes tentar as vias naturais do nascer. Sim, eu tentaria, confiaria na natureza, no instinto e em Deus. Não iria me entregar à um parto cirúrgico, sem antes tentar. E isso me movia e me moveu até o derradeiro momento do nascimento da Anastácia, com dor,  ocitocina, episiotomia e principalmente muito sentimento. 

E o sucesso dessa caminhada só aconteceu porque tive ao meu lado o melhor companheiro, escolhido por essa e tantas outras qualidades, que me motivou durante os 9 meses, leu e se informou comigo, assistiu vídeo no You Tube e esteve ao meu lado, segurou minha mão e falou palavras de incentivo em todos os momentos. Ele viveu intensamente esse momento decisivo da vida, tornar-se pai.

Assim começo a relatar esse momento tão importante em minha vida. E espero "inspirar" mulheres e futuras mães a também fazer essa opção para suas vidas. 

Continua...  
(nos intervalos entre uma mamada e outra, uma fralda suja e um chorinho de fome)


.....


Observação: Não quero aqui julgar qualquer mulher que tenha tido parto cesáreo, mas somente contar minha experiência particular, meu ponto de vista, vendo e sentindo tudo a partir do que eu vivi. Acredito que o parto cirúrgico salva muitas vidas e deve ser amplamente usado, quando necessário.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

De mãe para mãe


Achei esse texto muito interessante, gostaria de compartilhar com todas minhas amigas/mães/grávidas/mulheres.
Estou contando os dias/horas/minutos para embalar e maternar minha pequena!

Teoria da Extero-gestação
"Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.
O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.
A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.
Em algumas culturas, como na tribo Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.
Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.
Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.
É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho “shhhh shhhh”, mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).
A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda “o reflexo calmante”. Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.
Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.
1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho, nossas avós faziam muito isso!)
A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.
Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, “de volta ao útero”. Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.
Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.
Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos.
2. Posição de Lado
Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.
Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.
O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.
3. Shhhh Shhhh – O som favorito do bebê
O som “shhh shhh” é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante. Para bebês novinhos, “shhh” é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio!
Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”. Aumente o volume do “shh” até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar “calar” um bebê choroso fazendo “shh”, mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.
Na primeira vez fazendo “shhh”, seu bebê deve calar após uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.
Para substituir o “shhh”, pode-se ligar:
- secador de cabelos ou aspirador de pó
- som de ventilador ou exaustor
- som de água corrente
- um CD com som de ondas do mar
- um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
- rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
- secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
- máquina de lavar louças
O barulho do carro ligado também acalma a criança.
4. Balanço
“A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo – movimento, movimento, movimento.” (Frederick Leboyer, Loving Hands)
Quando pensamos nos 5 sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato – geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.
Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de “movimento” dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.
Como balançar ?
1. Carregando o bebê num “sling” ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.
Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.
5. Sucção
No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente.
É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular “negativamente” os pais) não tem sentido, bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto."
Bibliografia:
The Happiest Baby on the Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.
Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape the Way We Parent, Meredith F. Small, Anchor Books, 1998. New York.
Texto organizado por Flavia O. Mandic

terça-feira, 15 de maio de 2012

Ser pai

Este vídeo é resultado de uma pesquisa/projeto que teve como principal objetivo discutir novos paradigmas da realidade masculina no papel de pai, que vem sofrendo constantes transformações como consequência do crescente poder feminino e se reabilitando em papéis mais proprietários e relevante.
Vale a pena assistir!