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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Parte 6 de 6 - Relato de Parto Domiciliar - Nascimento da Pérola




Você nasceu às 09:39hs, no mês 09, no conjunto 09, e era o parto número 99 das parteiras. Nove sempre foi o meu número da sorte. E agora tem um significado mais que especial. 
Saímos da piscina e fomos para o quarto. A Iara tirou a Anastácia, enxugou e colocou roupa.
A placenta saiu bem rápido, e dias depois encontrei ela no meu congelador, com uma etiqueta com coraçõezinhos desenhados... muito amor por essa equipe. 

Pérola, que ainda na piscina foi colocada ao peito, ficou mamando por alguns minutos. 
O papai cortou seu cordão umbilical quando este já não pulsava mais. 
Depois foi pesada, medida e avaliada, pelas mãos de fada da Iara. Nasceu com 2.780 kg e 47 cm, com apgar 9/10. Linda e saudável! 
Não foi aspirada, não recebeu colírio de nitrato de prata.
Recebeu vitamina K enquanto ainda mamava e nem chorou. 
Tirou muitas selfies em seus primeiros minutos de vida. Garota moderna.
As parteiras me ajudam a levantar e trocar de roupa. E tiramos uma foto com toda a equipe. Dão as primeiras orientações, sobre cuidados comigo e com a bebê. E após umas 2 hs do parto, foram embora. No acompanhamento do pós-parto, ainda nos vimos com 24 hs do parto, com 3 dias, com 10 dias e para finalizar com 30 dias, a última consulta. 

Ficamos só nós. Minha pequena família, meu porto seguro. Veio uma vontade enorme de chorar, uma alegria misturada com adrenalina. Ainda não conseguia acreditar que tudo aquilo tinha sido verdade.
Contamos para a família pelo whattsapp, rimos da surpresa de todos. Logo estávamos no skype transmitindo o rostinho da Pérola para meus pais e vendo a cara de espanto quando dizíamos que o parto tinha sido em casa. 

Tão primitivo e tão moderno esse parto. Na simplicidade da casa, como se fazia antigamente, mas cheio de tecnologia, de celulares, câmeras, lanterna e monitor cardíaco. O simples e o tecnológico convivendo de forma tão harmoniosa. 
Ainda suspiro quando me lembro desse dia, e juro que já sinto até saudades. 

Tão bom poder receber uma vida no aconchego do lar. De ouvir a música que te deu o nome. De aliviar as dores no chuveiro de todos os dias. De beber a água que diariamente nos mata a sede. De sentir o toque de quem eu escolhi para estar ali. Só nossa casa pode nos dar essa sensação de porto seguro, lugar para onde corremos para chorar ou celebrar. Em nossa casa entra quem convidamos, quem amamos, com quem nos vinculamos durante todo esse processo. Aqui minha filha dorme e acorda para ver a irmã nascer. Aqui elas se reconhecem como companheiras para toda a vida.

Aqui grito, aqui tenho medo e não preciso esconder. 

Afinal, porque complicamos o que só exige simplicidade?

Para terminar minha gratidão à pessoas essenciais: 

Ao Rafael, por termos decidido juntos pelo parto em casa e por estar presente nessa experiência (sei que é para poucos). Pelo apoio e carinho durante o trabalho de parto, pela massagem, por ser o pai que desejei para minhas filhas, pelas brincadeiras e piadas que deixam tudo mais leve. Meu marido, amigo, porto seguro, meu boy magia. Minha força e minha fragilidade. 

À Anastácia, por trazer tanta luz e alegria, por ser compreensiva, por se mostrar uma irmã tão carinhosa. 

À Pérola, por me permitir ser sua mãe, por sua força ao nascer, pela alegria que trouxe ao nosso lar. 

Às parteiras (enfermeiras obstétricas), Iara e Ana Cyntia, por serem o que são, por olhar nos olhos, conversar com franqueza, respeitar o tempo da natureza, acolher, informar e devolver ao nascimento o que ele tem de essencial: ser um momento íntimo, vivido em casa, celebrando a vinda de uma nova vida. (Luz de Candeeiro, parto em casa)

E principalmente à Deus, autor da vida, que permitiu a vinda da nossa pequena para nosso lar. Que nos deu força e coragem e guiou-nos a todo momento. Pois não cai sequer uma folha de uma árvore sem a Sua permissão. 
















quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Parte 5 de 6 - Relato de Parto Domiciliar - Nascimento da Pérola



Enfim a borda da piscina estava cheia. Grudamos com uma fita adesiva que com muita oração aguentou até o final. Para encher a água vinha do banheiro por uma mangueira tão fininha que parecia que ia durar um século. Rafael ia e vinha com um balde também para ajudar. E as enfermeiras completavam com a água que ia fervendo no fogão. 

Em algum momento que não me lembro bem o Rafael foi a padaria. Comi uma banana, tomei um copo de leite e comi pão fresquinho com margarina. Me lembrei do jejum total a que fui obrigada no parto da Anastácia e agradeci por nossas escolhas. 
Olhei as paredes da cozinha e elas estavam todas suadas por causa da água fervendo. Achamos graça e abrimos um pouco as janelas para o ar entrar. 

Tentei deitar e descansar um pouco, dormir talvez... mas não consigo, a ansiedade é muita e levanto. Em pouco tempo vem uma vontade grande de ir ao banheiro. Vontade de fazer cocô, uma cólica que se mistura com a contração, mas que eu tenho certeza do que é. No banheiro tenho uma diarréia rápida que esvazia todo meu intestino. Ao sair aviso as parteiras. - "muito bom!", elas dizem. 

Meu corpo funciona, nunca duvidei disso. Ele sabe muito bem o que fazer, me surpreendo, a natureza é realmente perfeita. 

Rafael coloca o DVD do Natiruts para passar e ficamos ali, nós quatro, como que esperando alguma coisa. Sentados no sofá, em um silencio que vez ou outra é quebrado por alguma conversa ou comentário rápido. Enquanto isso as contrações iam e vinham... como uma onda. Quando vinham eu me concentrava para aguentar a dor e quando iam eu respirava e achava que nem tinha doído tanto. 

Mais ou menos às 7:00 hs a fotógrafa me responde pelo whatsapp. 
"Ainda bem que ela acorda cedo!". Pensei. Aviso que pode demorar um pouco e que assim que o TP engrenar eu aviso para ela vir. Ela pergunta se o parto deve ser ainda de manhã. Eu digo que lá pelas 10hs, mas pensando bem pela intensidade das dores, que estavam fracas, tenho dúvidas disso. Talvez só nasça a tarde...

Às 8:00 hs perguntei para as parteiras se já devo chamar a fotógrafa. Aviso pelo wahtsapp que ela já pode vir. As dores começam a ficar mais fortes e eu me contorço toda no sofá quando a contração vem. 
A piscina já estava pronta e a Iara pergunta se não quero entrar para aliviar um pouco. Digo que não, não quero ficar muito tempo na piscina, só vou entrar a hora que for nascer mesmo. Não gosto dos dedos enrrugados e não quero molhar meu cabelo.

Fico ali no sofá mais uns 40 min. deitada no Rafael e curtindo as contrações que vão ficando mais fortes. A Iara vê minha cara de dor durante cada contração e sugere novamente que eu entre na piscina: 
-Vai ser bom entrar na água quente. Vai aliviar a dor, você vai ver.

Entro na piscina meio contrariada, achando que ainda vai demorar muito para a Pérola nascer. Peço para o Rafael pegar a presilha que eu havia separado para prender a franja. Meu cabelo está assim um tanto curto que fica caindo no meu rosto e eu não quero molhar o cabelo. "Não posso passar as mãos molhadas no cabelo", pensei. "Essa escova ainda dura uns dias.". 

A água estava bem quentinha e de fato eu dei uma relaxada. As dores ainda não estavam tão fortes, mas não sei porque me veio uma sensação de que já estava bem perto dela nascer. 
- Rafael, acorda a Anastácia. 

Ela veio nos braços do Rafael e ficou ali na borda da piscina, ainda um pouco assustada com a quantidade de gente na casa àquela hora (nessa hora a fotógrafa também chegou). Ela me deu beijo, abraço e ficou ali na borda da piscina. 

Alguns minutos e o Rafael também resolve entrar. Eram 9 horas mais ou menos. Ele colocou o maiô na Anastácia e de repente tá todo mundo dentro da piscina.
Pronto, como sempre sonhei que seria. Que lindo, a Anastácia vai ver a irmã nascer. 
 

Desse momento em diante tudo fica meio confuso, acho que entrei na partolândia que tanto falam. A dor ficou bem forte e peço para o Rafael fazer massagem nas minhas costas. Massagem não, pode apertar com bastante força. Mais forte. Mais forte. Isso.
Vez ou outra as enfermeiras vinham com o aparelhinho para ouvir o coração da Pérola. Estava tudo bem.

Eu não conseguia raciocinar direito, fechava os olhos a cada contração e isso me dava a impressão de que estava tudo escuro. Não via mais ninguém ali. Não tinha fotógrafa, não tinha as enfermeiras, nem ninguém, era só eu dentro da piscina. Tudo escuro no meu mundo particular. Foi até estranho quando vi as fotos e percebi que estava claro.

Acho que foram mais umas 4 contrações bem doloridas, eu apoiava todo meu corpo na borda da piscina, fechava os olhos e dava uns gemidos que se transformavam em gritos ao final. "Meu Deus, vai nascer."
Entre uma contração e outra fiquei com vontade de pedir para elas fazerem um toque e me dizer com quantos centímetros de dilatação eu estava. Mas antes que eu pudesse pedir, vinha outra contração.

Vi que elas olhavam através da água com a lanterna e acho que foi nessa hora que a ficha caiu e tive a certeza que ela já ia nascer. 


Senti a Pérola descer mais ainda e coroar. Fui me encostando na beirada, tentando achar uma posição, abrir mais a perna, sei lá. Rafael também tentando achar uma posição para pegá-la quando ela nascesse. 
- Ela vai nascer agora.
Acho que foi o ápice da dor, o tal círculo de fogo, que não senti no parto da Anastácia pois a médica foi logo me cortando para ela nascer rápido.

O tal círculo de fogo durou poucos segundos e junto meu corpo fez uma força imensa. 
Ploft. Senti uma coisa estourar entre minhas pernas. "Foi a bolsa que estourou" ouvi alguém falar. Coloquei a mão e senti a cabeça dela.

- Nasce minha filha!
Gritei, mal respirei e já veio outra contração. Fiz mais duas forças e senti primeiro a cabeça e em seguida todo o corpo dela saindo. Rafael a pegou, sorrindo. E ela imediatamente ao sair da água deu uma resmungadinha que mal chegou a ser choro. A Anastácia colocou a mão na boca, como sempre faz quando se espanta com algo. 
A Ana Cyntia trouxe as fraldas para aquecê-la. 
Tão pequenininha que fez a mão do Rafael parecer imensa. Veio para meus braços. Abracei, beijei, olhei cada detalhe dela. As mãos pequenas, a cabeça quase sem cabelo. Ainda roxinha, ainda ligada a mim pelo cordão umbilical. Me perguntava como aquele serzinho cabia dentro de mim.

Ficamos ali alguns minutos ainda, ela no meu colo mergulhada com o corpo na água quente, Rafael conversando com a Anastácia e mostrando para ela a "Péia", como ela mesmo fala.

Eu estava maravilhada, parecia um milagre, nosso pequeno milagre, acontecendo ali na sala da nossa casa. 
Toda a dor passou. Passou e foi esquecida. Respiramos agradecidos. 








"A luz do melhor momento, o livre nascimento e o agradecimento" - Chico Anysio




Ainda continua... rsrsrs.





segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Parte 4 de 6 - Relato de Parto Domiciliar - Nascimento da Pérola


8 de setembro de 2014.
02:46 da madrugada
Há dias vinha sentindo umas contrações antes de dormir. Elas tinham uma certa regularidade, de 10 em 10 min, mas não doíam tanto quanto eu achava que deveria doer. Meu lema era sempre: Vou tentar dormir, se eu dormir é porque não era trabalho de parto.
Naquele dia foi diferente, ao invés de me impedir de dormir, as contrações me fizeram acordar de um sono pesado.

Comecei a observar e marcar no "Contraction Time", aplicativo de celular para marcar os intervalos das contrações. Estavam entre 5 e 6 minutos de intervalo. Mas não doíam tanto que me fizessem ter certeza. 
Tentei voltar a dormir, não consegui. Que saco, é só cansaço da tarde de ontem, eu devia ter ficado quieta, não devia ter andado tanto. 
Resolvi criar um grupo no Whatsapp, para facilitar a comunicação entre mim e as enfermeiras. Chamei de, "Vem Pérola!"... mesmo que não fosse agora, uma hora esse grupo vai fazer sentido. 
"Estou sentindo umas dores diferentes. Mas tô na dúvida.. pq não dói taaaanto." (assim, com vários "as" mesmo)
"Tem ritmo?". Eram 03:47hs, já tinha uma hora que eu estava sentindo as contrações indo e vindo, mas ainda não conseguia ter certeza se era ou não trabalho de parto. Não queria incomodar a toa, ainda mais de madrugada. "Ela tem 2 filhas, deve estar cansada também e em plena segunda sendo incomodada assim de madrugada... ninguém merece..." Pensei. 
Rafael ainda dormia ao meu lado na cama. 
"Uns 7 min entre uma e outra" Aumentei uns 2 min para não preocupar ela, de fato achei que ainda não fosse. 
"Mas como me cansei muito com o evento de hoje a tarde, achei que fosse isso. Tentei dormir de novo, mas agora a ansiedade não tá deixando."
Ela sugeriu que eu tomasse um banho morno. Se as dores passarem é porque é só cansaço mesmo, mas se não passar avisa! 
"Ok. se eu perceber que é mesmo eu ligo."

Mas pensei que não fosse ligar. Não é nada. Deve ser coisa da minha cabeça... e essa ansiedade que não me deixa dormir de novo. Fiquei alguns minutos na cama, pensando, pensando, com uma preguiça enorme de tirar a roupa, entrar embaixo do chuveiro, secar, tentar voltar a dormir... pra nada? Acho que não é nada... que preguiça de levantar.
Passei uns 20 min nessa enrolação. Senti uma gosminha saindo lá embaixo, levantei correndo (até esqueci da preguiça.. rsrsrs) e fui até o banheiro constatar: - Era o tampão!
Gosminha transparente com um pouco de sangue. 

"Fui no banheiro e saiu o tampão. Mas ainda não tomei o banho." Avisei no grupo. 
Ela me pediu para observar durante 30 min, no chuveiro, se as contrações continuavam. 
Resolvi acordar o Rafael. Acho que agora a coisa ficou séria. Falei pra ele das contrações, do tampão, do grupo no whatsapp e do banho que eu deveria tomar, mas que tava com preguiça e tal, que achava que não era nada. 
"E ela respondeu o whatsapp de madrugada?"
Acho que ele nem ouviu a parte que eu achava que não era nada e segundos depois eu já estava embaixo do chuveiro e ele contando o intervalo das contrações. O que era difícil, pois debaixo do chuveiro as contrações pareciam quase sumir. 

Às 04:37 hs, ele entra no grupo: "Já tem 15 min de chuveiro, contrações em 4 min."
"Ok, estou indo" Disse a parteira.
"Niiiiiice. ;)"
"Iiiiiiiiit's time" (igual no UFC!)
"Hehehehe"

Voltou ao banheiro:
- Elas estão vindo!
- Mas você disse que eu acho que não é nada? Que não dói muito? Que não dura muito?
- Sim, e elas estão vindo!

Bem, pode ser que eu esteja em trabalho de parto mesmo. Fiquei ali no chuveiro mais um pouquinho, maravilhada com a possibilidade: "Meu Deus, ela vai nascer hoje..."
Saí do chuveiro. Comecei a catar os brinquedos da Anastácia que estavam espalhados pela sala. Troquei a toalha da mesa da cozinha. Pedi para o Rafael dar uma limpada na garagem. Por alguns instantes até esqueci que estava em trabalho de parto. Confesso que segunda feira não é o melhor dia, quando o quesito é arrumação da casa, e eu tenho TOC... rsrsrs.

As 5hs, a Ana Cyntia já estava casa a dentro, e uns 10 min depois a Iara também. Ao chegar o primeiro e único toque durante todo o trabalho de parto: 4 a 5 cm de dilatação, mas a Pérola ainda estava um pouco "alta". 
Às 6 hs, mais ou menos, avisamos a Ana Amélia, minha cunhada, de que o trabalho de parto tinha começado. Por intuição, ela havia acordado às 4 hs com a certeza de que a Pérola nasceria naquele dia, e então, só aguardava nossa ligação... Como a Anastácia estava dormindo ainda combinamos que se precisasse ligaríamos mais tarde. 
Rafael quebrava a cabeça para encher a piscina, que veio faltando uma peça. E as meninas já colocavam as panelas com água para ferver. 
As contrações em intervalos de 4 min, porém quase não doíam, pareciam uma cólica bem leve... toda aquela movimentação na casa e eu não conseguia imaginar ainda como aquelas dorezinhas sem graça iriam evoluir para um parto...

Continua...





sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Parte 3 de 6 - Relato de Parto Domiciliar - Nascimento da Pérola


Uma das coisas que também nos fez decidir pelo parto em casa, foi incluir nossa filha Anastácia em todo o processo. Depois da euforia de descobrir a gravidez veio aquele medo do novo bebê deixar a Anastácia de lado. Daquele bebê mudar a nossa relação. E para isso queríamos incluir a Anastácia em tudo: explicar para ela sobre a vinda da irmã, participar dos pré-natais e é claro, porque não, do parto!
Queria que ela visse aquele barrigão ir, e o bebê sair, como deve ser, de forma natural. Sempre pensei como deve ser estranho a mamãe sair com um barrigão de casa e voltar depois de um ou dois dias com um bebê nos braços, que a partir daí vai ocupando todos os espaços que antes pertenciam só à criança mais velha.
Penso que vivenciando o parto juntos esse processo de receber um irmão se torna um pouco mais natural e menos difícil para a criança.
E enfim, somos uma família, tão importante quanto a presença do pai e é claro da mãe no parto, deveria ser a presença dos irmãos recebendo essa nova vida. Nós não estaríamos completos sem ela ali.



Setembro havia chegado, e junto dele toda a ansiedade para a chegada da Pérola.
Há alguns dias eu já respondia a pergunta: "Vai nascer quando?", com "- Há qualquer momento!"... apesar de ninguém ficar satisfeito com essa resposta.
Aprendemos a controlar tudo no mundo, e o nascimento é só mais uma dessas coisas. Só quem espera pelo parto normal, sabe o que é entregar todo esse controle nas mãos da natureza e simplesmente: esperar... E para mim em particular, que adoro planejar e controlar, isso sempre foi um aprendizado e tanto, desde o nascimento da nossa primeira filha.

Eis que chegamos a 37 semanas de gravidez e recebemos a lista de material para o parto em casa. E eu que achei que era só chegar em casa e parir! O material era simples: panos de chão, toalhas, plastico para a cama, piscina, mangueira, aquecedor, tapetes higiênicos, panelas e gás para esquentar água, absorvente, dentre tantas outras coisas. Isso sem contar todo o material que as enfermeiras trazem no dia, lanterna, monitor fetal para verificar os batimentos cardíacos do bebê durante o trabalho de parto, material de sutura, material de emergência para o bebê,  e etc.
Aos poucos fomos providenciando tudo que cabia a nós e organizando tudo numa caixa para o momento do parto. E essa dica foi valiosa, pois com tudo organizado na hora do parto em si não precisei me preocupar com mais nada, só em vivenciar a dor e parir. Além disso, as enfermeiras fazem uma visita domiciliar com 36 semanas em que junto com os pais pensam onde armar a piscina inflável, como levar água quente, como manter o ambiente aquecido e toda a infra-estrutura para o parto.
Enfim, minha casa viraria por algumas horas uma espécie de sala de parto mesmo. Com toda a estrutura necessária para o parto e pós parto*.

Eu já não estava mais trabalhando e no domingo "encerrava" minhas obrigações com o mundo para me dedicar somente à Pérola. Estava ajudando a organizar um festival de tortas beneficente e passei o fim de semana envolvida nisso, andei pelo CEASA, pelo Taguacenter, passei a tarde de domingo sassaricando pelo salão do evento... e acho que tudo isso foi um estímulo para meu corpo começar seu trabalho.
Já havia uma semana que a Pérola estava "encaixada" (fixa na minha pelve), o que me fazia andar igual uma pata, sentar com as pernas abertas e fazer xixi o tempo todo... e tudo isso também já eram sinais de que o parto estava cada dia mais perto.
No sábado eu sentei na poltrona de amamentar, e o Rafael tirou uma foto minha na mesma posição que havíamos tirado há um pouco mais de  2 anos atrás, em 28 de maio de 2012 quando eu estava grávida da Anastácia. Exatamente 2 dias antes dela nascer. Brincamos então, que a história se repetiria, e que dali a dois dias a Pérola devia nascer. Um mês antes o Rafael, durante a consulta, havia "brincado" também com as enfermeiras que a Pérola ia nascer no dia 08 de setembro, porque eu não ia parar quieta durante o festival de tortas e no outro dia deveria entrar em trabalho de parto. "Eu conheço ela..." profetizava ele.

Na noite de domingo quando cheguei em casa eu estava literalmente "acabada"... as pernas e a lombar doíam bastante e fui dormir relativamente cedo (22 hs) para descansar e ver se as dores passavam.
Dormi um sono pesado, até as 02:46hs da madrugada, quando fui acordada por uma dorzinha diferente...
E o dia 08 de setembro nunca mais seria o mesmo para nós.

Continua...


  (*Parto domiciliar planejado é seguro, não é bagunça! rsrsrs... A Organização Mundial de Saúde e a Federação Internacional de Ginecologista e Obstetras respeitam o direito de escolha do local de parto pelas mulheres e reconhecem que, quando assistido por profissionais habilitados, há benefícios consideráveis para as mulheres que querem e podem ter partos domiciliares. A OMS reconhece como profissionais habilitados para prestar assistência ao parto tanto médicos obstetras como enfermeiras obstetras e parteiras e recomenda que as mulheres podem escolher ter seus partos em casa se elas têm gestações de baixo-rico, recebem o nível apropriado de cuidado e formulam planos de contingência para a transferência para uma unidade de saúde devidamente equipada se surgirem problemas durante o parto.)




terça-feira, 16 de setembro de 2014

Parte 2 de 6 - Relato de Parto Domiciliar - Nascimento da Pérola


"Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber: Que o esplendor da manhã não se abre com faca” - Manoel de Barros


Em abril de 2014, com 18 semanas de gestação durante nossa primeira consulta é que enfim, consegui respirar aliviada: havia encontrado a equipe que atenderia o parto da Pérola. Antes disso eu já havia me consultado com uma médica e uma enfermeira, muito bem indicadas, que também fazem parto humanizado em Brasília, porém ainda vagava em mim o sentimento de estar perdida...

O local era acolhedor, cheirava à um cafézinho recém passado, lembrava a sala de casa, em que se senta no sofá e conta histórias da vida... foi ali que contei sobre os desgostos do meu primeiro parto e durante todo o pré-natal conversamos, papeamos, rimos das tiradas do Rafael, fui medida, pesada, apalpada para sentir a posição do bebê, a Anastácia pode ouvir o coração da irmã, ajudar a desenhar a irmã na barriga, brincar com as bonecas saindo do útero de pano, conversamos com franqueza sobre o parto, sobre as dores, sobre as dúvidas e os medos. Como um verdadeiro pré-natal deve ser, com olhos nos olhos e abraços ao chegar e sair do consultório. Assim, criamos o vínculo e a confiança necessária entre profissionais e pais para confiar e respeitar o tempo da natureza e do nascimento.

Confesso que até antes de mim o Rafael já tinha certeza de que nosso parto seria domiciliar, creio até que antes da Pérola existir dentro de mim. Mas foi em nossa primeira consulta com a Iara e a Ana Cyntia, enfermeiras obstétricas, que essa certeza tomou conta de mim: vamos ter a Pérola em casa.
Para isso seguimos todo o "protocolo" do parto domiciliar planejado, consultas mensais com as enfermeiras e paralelamente com um médico obstetra que fica de back-up caso necessitássemos de transferência para o hospital. E a cada consulta, exame, ultrassom, eu rezava muito para que Deus encaminhasse nossa gestação para atender a todos os critérios do parto em casa*, para o bem da Pérola, para o nosso bem.

Decidimos durante o pré-natal, não comentar com ninguém sobre nossa decisão. Acredito que essa atitude foi muito mais atendendo a um pedido meu do que um desejo do Rafael, pois por ele podíamos gritar aos quatro ventos e peitar todas as opiniões contrárias. No fundo, apesar da minha certeza e confiança na decisão tomada, sabia que muitas pessoas iriam questionar, falar, dar opinião contrária e até nos desestimular a seguir com nossos planos. E eu não queria o desgaste emocional de ter que ficar defendendo isso durante toda a gestação.

Somente no final da gestação, quando eu já entrava nas 37 semanas, é que compartilhamos e recebemos todo o apoio da minha cunhada Ana Amélia, que foi "convocada" a nos ajudar caso precisássemos no dia. Ela ficou de "back-up" principalmente se durante o parto a gente precisasse de ajuda com nossa filha Anastácia, então com 2 anos.

Um dos principais medos que eu tinha durante a gestação, e acho que todo mundo tem, era de não reconhecer que o trabalho de parto tinha começado. No final da gestação a gente sente tantas dorezinhas, tantas contrações de treinamento, que eu tinha medo de não saber diferenciar quando de fato fosse trabalho de parto. Mas, que ingênua, que tola... quando de fato começaram as contrações, eu soube e a natureza agiu para que não houvesse dúvidas. Outro medo constante era de que por ser meu segundo parto, as coisas evoluíssem tão rapidamente que não desse para a equipe chegar a tempo e a gente tivesse que fazer o parto sozinhos. As enfermeiras cansaram de me dizer que isso nunca havia acontecido com elas, mas deram as orientações necessárias ao Rafael, sobre as primeiras providências com mãe e bebê caso isso ocorresse. Agora eu sei porque isso nunca aconteceu com elas: não esperaram nem eu ter certeza do trabalho do parto e já disseram "Estou indo". Mesmo estando de madrugada, mesmo que fosse para ir a toa e que fosse um alarme falso, elas rapidamente estavam aqui na garagem, puxando casa à dentro as malas de rodinhas com todo o material para o parto.

Continua...

*De maneira geral, os critérios são ter uma gestação de baixo risco: estar a termo, entre 37 e 42 semanas, bebê cefálico (de cabeça para baixo), não ter pressão alta, diabetes gestacional e etc.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Parte 1 de 6 - Relato de Parto Domiciliar - Nascimento da Pérola


Se é pra falar do parto da Pérola, vamos começar do início. Vamos começar falando do nascimento da Anastácia, nossa primeira filha. Sim, pois foi lá que todos os caminhos começaram a ser traçados para que chegássemos até aqui.

Foi lá em 30 de maio de 2012, que me tornei mãe, foi lá que tive minha primeira experiência com gestar, parir... dar a luz à minha primogênita!
Foi nesse dia inundado de ocitocina, minha e sintética, que passamos de forma tão ingênua por uma experiência que deveria ter sido tão mais grandiosa. Sim, eu acreditei na Ginecologista Obstétrica fofinha do plano de saúde, ela que nunca sequer tocou minha barriga direito, que nunca conversou comigo sobre trabalho de parto, contrações, círculo de fogo, melhores posições para o parto... eu acreditei em sua boa vontade e suas informações vagas sobre o parto normal.

Assumo também minha parcela de "culpa", se é que posso colocar essa palavra nesse texto. Pois me informei sim, dentro do que me foi oferecido à época, porém não o suficiente para ter um experiência de parto humanizado. Não faz muito tempo, mas àquela época ainda não se ouvia de forma tão democrática sobre parto humanizado, não havia ainda o documentário "O Renascimento do Parto", eu nem sabia o que era uma doula, não se via tão frequentemente como hoje nas redes sociais vídeos e fotos de partos domiciliares belíssimos.. e eu sequer sabia da existência dessa "opção".

E foi assim que caí nas mãos da médica da emergência, na ocitocina sintética, no soro, no jejum absoluto, na manobra kristeller, na episiotomia, na cardiotocografia "desnecessária", na ultrassonografia em plenas contrações para verificar circular de cordão,  na separação da minha filha de mim por uns 40 min, no colírio de nitrato de prata na Anastácia.. enfim o pacote completo de intervenções desnecessárias.

E foi apesar de tudo, o meu parto normal, com tudo o que tinha que ser para que pudéssemos parar e refletir sobre o nascimento.

E foi acima de tudo, o nascimento da minha primeira filha, a alegria de pegá-la nos braços, de sentí-la, beijá-la, acreditar ser capaz, de ser mãe, de parir, de me permitir e viver essa nova fase da vida intensamente.

E foi assim que em 13 de janeiro de 2014, quando recebemos a confirmação da gestação da Pérola em meu ventre que começamos a desenhar os caminhos de nossa história que nos fizeram chegar até o Parto Domiciliar Planejado.

E dessa vez a história não teria "mas..", não teria "apesar de...", não acabaria com "no final o que importa, é que deu tudo certo.".
Queríamos escrever uma história muito mais bonita, mais clara, mais empoderada, sem as vírgulas, reticências e as dúvidas que ficaram após o parto de nossa primeira filha.
E enfim, vivemos nós 4, Eu, Rafael, Anastácia e Pérola essa experiência belíssima que começo a contar aqui.



Continua...

(nos intervalos entre uma mamada e outra, uma fralda suja e um resmungo de fome...)





quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Entenda: não é sobre você que escolheu uma cesárea eletiva


Você mulher, mãe, que teve uma cesariana (necessária ou não) quando teve seu(s) bebê(s), antes de mais nada queria lembrar que nós sabemos que você é uma mãe maravilhosa, competente, amorosa e tão boa quanto qualquer outra mãe boa. A via de parto não nos faz mais ou menos mães, mais ou menos mulheres, mais ou menos seres humanos. Eu tive uma cesariana há 15 anos, um parto normal há 12 anos, e me considero uma mãe boa o suficiente para ambos. E não amo um mais que outro.

Mas minha amiga, quando você ler uma mulher dizendo “O parto normal me fez mais mulher” ela não está dizendo que a tua cesárea te faz “menos mulher”. Ela quer dizer que o parto fez ela se sentir mais mulher do que ela se sentia antes, ou de que ela se sentia se ela tivesse feito uma cesariana. Ela não está criticando você ou as suas escolhas. Ela está comemorando suas próprias conquistas, só isso!Quando ela diz “quando eu dei à luz, eu me senti muito mulher, muito feminina, muito poderosa” ela não está dizendo que a gente, por ter feito cesariana, é menos mulher, menos feminina, menos poderosa. Ela está falando só dela, não da gente, entendeu?

Concordo que se ela entrar em qualquer terreno seu, e se dirigir a você como uma pessoa inferior, daí não tem jeito mesmo, a pessoa está sendo estúpida. Mas em geral não é isso que a gente vê. Eu não costumo ver mulheres “cesareadas” como nós, sendo acusadas de sermos mães de pior qualidade. A cesariana no Brasil já é uma realidade, eu e você fazemos parte da maioria esmagadora! Ela, a sua amiga que quis e/ou teve um parto bacana, ela é pequena minoria e apenas está feliz por ter conseguido atingir seu sonho.

Todos esses movimentos que a mulherada está fazendo pelo direito ao parto natural, direito ao parto em casa, não dizem respeito a você e às suas escolhas. Elas dizem respeito a elas! Em nenhum cartaz ou fala você verá escrito “Proíbam as cesarianas, proíbam as escolhas pelas cesarianas, proíbam as mulheres de optarem pelas cesarianas, não queremos mais cesáreas que salvem vidas“. Essas mulheres querem que todas as mulheres tenham a chance de experimentar o que elas viveram, caso elas assim o desejem. Nunca ninguém desejou que o parto normal, ou natural, ou domiciliar, venha a ser algo obrigatório.

Por outro lado, uma coisa é certa: quando essas mulheres “xiitas” veem um relato de cesariana onde a mãe disse que fez a cirurgia salvadora porque tinha pouco líquido, ou cordão no pescoço, ou pé na costela, elas comentam mesmo, elas falam que isso não é indicação de cesariana. Você também chiaria se alguém fosse fazer uma cirurgia de varizes preventiva porque um dia vai que aparece uma variz, então é melhor operar. Cirurgias desnecessárias são uma questão importante em termos de saúde pública.

Só que, amiga, entenda, ela não está dizendo que você é uma mãe inferior! Ela está dizendo que seu médico fez uma cirurgia que não era necessária, só isso. Em nenhum momento ela está te julgando incompetente por ter aceitado a cirurgia proposta pelo seu médico, ainda mais com essa ameaça de que o bebê vai morrer ou sofrer. Em outras palavras, ela apenas está dizendo que sua cesariana não teria sido feita em nenhum país onde a saúde é levada a sério. Só no Brasil se opera com essas desculpas, e daí chegamos nos 94% do Hospital Santa Joana, por exemplo. A questão é de população, não de você.

Via de parto é apenas isso: via de parto. Não diz nada de qualidade de maternagem. Suas amigas “xiitas do parto natural” sabem que você é uma boa mãe. Também sabem que o parto normal não garante uma boa mãe (e vice versa). Não se ofenda quando você ler um post no perfil da sua amiga dizendo: “Eu quero ter direito à escolha“. Ela está falando apenas dela, e não de você.

Quando você se sentir enraivecida com essas notícias, posts, relatos e matérias sobre parto normal, natural etc., olhe para dentro de você e tente entender porque é que você ficou tão brava, tão chateada, tão mexida. Eu já fiz esse exercício diversas vezes e descobri coisas incríveis. Não perca essa oportunidade.

Palavra de Parteira!
* Ana Cristina Duarte é obstetriz, ativista do movimento de Humanização do Parto e mãe de Julia e Henrique.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

11 razões para Parir em Casa (Parto Natural, Parto Domiciliar)

Sabe... há alguns dias tenho pensado muito sobre o parto da Anastácia. Como já relatei aqui para vocês, foi um parto normal hospitalar, com diversas intervenções: ocitocina, cardiotocografia, episiotomia, bebê separado da mãe... enfim, apesar dos pesares, foi meu parto, minhas experiências, e extremamente gratificante ao final com minha filha saudável nos braços.
Mas, venho repensando essas escolhas... e uma das coisas que tem me chamado muito atenção é pensar em ter um parto normal de fato, um parto natural... e quem sabe até um parto domiciliar!

Hoje li o relato do parto da Luíza Diener, do blog Potencial Gestante... e me envolvi, me emocionei, chorei... e comecei a desejar essa experiência tão singular. Afinal, parir é instintivo, é fisiológico, emocional, sublime... e nós mulheres nascemos para viver isso...

É claro que essa decisão não é só minha... e por enquanto ainda estou trabalhando o coração do maridão para me apoiar nessa decisão. Estou pesquisando, lendo, me informando... e construindo esse caminho rumo à um nascer natural.

Ainda não sei até onde vai essa minha curiosidade, até quando irei para frente com isso, se receberei apoio, se receberei críticas... enfim... vamos ver onde isso vai dar. Por enquanto desejo compartilhar com vocês esse meu mergulho no mundo do parto domiciliar. Espero inspirar outras mulheres a repensar o nascer e o parir.

Fiquem com essas 11 razão para parir em casa, publicado pelo blog Gestar Parir Amar, da doula Taiza Nóbrega, aqui de Brasília-DF.




11 razões para Parir em Casa
 
Ciência e tecnologia estão presentes em nossa vida e nos ajudam em muitos aspectos, porém, cada vez mais mulheres, de todos os tipos, histórias e estilos de vida, estão escolhendo parir à moda antiga – em suas casas. Por quê?
 
O fato é que a ciência médica não é capaz de fazer melhor que o corpo humano. O corpo da mulher sabe como parir e não precisa de nenhuma interferência externa para fazer o bebê sair. Claro que às vezes, em raras circunstâncias, uma intervenção médica se faz necessária para ajudar a mãe e o bebê durante o parto. Esse texto não tem a intenção de convencer as mulheres a parir em casa, mas de mostrar a todas aquelas com uma gestação saudável e de baixo risco que desejam um parto natural, que parir em casa é uma opção segura.
 
O Parto Domiciliar está em ascensão nos EUA, de acordo com um estudo descrito pelo New York Times. As taxas de cesárea americanas estão atingindo patamares perigosos, pois as mesmas estão ocorrendo em circunstâncias desnecessárias. O tempo de recuperação de uma cesárea é bem maior que de um parto vaginal, o que pode atrapalhar a formação do vínculo mãe-bebê e o estabelecimento da amamentação. A cesárea é uma cirurgia abdominal de grande porte, que só deveria ocorrer em 10 a 15% dos nascimentos, segundo a OMS. Finalmente, as mulheres estão tomando as rédeas dos seus partos e trazendo-os para um ambiente mais natural – suas próprias casas.
 
Abaixo estão algumas razões para as mulheres optarem por um parto em casa:
 
1) Você pode escolher o lugar em que deseja parir: em casa você pode escolher onde deseja ficar durante o TP e parto, pode caminhar livremente pelos cômodos, entrar no chuveiro ou numa piscina, descansar em sua própria cama, sentar no sofá, fazer o que desejar, até mesmo, ir passear lá fora pra tomar um ar fresco. Enquanto que no hospital seu espaço será limitado, você provavelmente ficará num quarto durante todo o TP, às vezes, sem poder sair ou caminhar lá fora. Dependendo do hospital, ainda terá que ir para o centro obstétrico para dar a luz e, talvez, ainda ficar sozinha numa sala de recuperação.
 
2) Você convida quem vai estar no parto: a maioria das mulheres não precisa de muita gente para assistir seu parto, geralmente contratam uma parteira e uma doula. Parir é um ato íntimo, que não necessita de espectadores. Por outro lado, algumas mulheres desejam ter a família toda e também alguns amigos para dar apoio. Mães que já tem filhos mais velhos podem querer a presença deles durante o TP, o que não seria possível num hospital. Em casa, você tem a liberdade de escolher quem vai estar (ou não) no seu parto.
 
3) Nenhum aparelho conectado à você: na maioria das vezes, quando uma parturiente chega ao hospital é colocado soro intravenoso no seu braço, para hidratá-la e para o caso de precisar de algum medicamento. Em seguida, irão colocá-la em um monitor para acompanhar os batimentos e os movimentos do bebê. Isso tudo restringe os movimentos da mãe, atrapalhando o bom andamento do TP e aumentando a sensação dolorosa das contrações. Em casa você estará livre de soro e monitor, livre para se movimentar a vontade!
 
4) Sua casa é onde está o seu coração! Existe lugar melhor que o lar construído por você e seu parceiro para dar as boas-vindas à nova vida que chega? Se na sua casa tem tudo que você precisa (e gosta), então por que não parir nela?
 
5) Ninguém para te acordar depois que seu bebê nascer: quando você está no hospital, as enfermeiras entram constantemente para verificar seus sinais vitais e do bebê. Se você ou o bebê estiverem dormindo, eles irão te acordar ou acordá-lo para fazer isso. Se estiver em casa, você mesma irá checar a temperatura do seu bebê quando ele acordar para mamar. Aí, poderá dormir sempre que seu bebê dormir também, respeitando o seu sono e o do seu bebê.
 
6) Nenhuma intervenção indesejada com seu bebê: em casa você pode escolher o que vai ser feito com seu bebê após o nascimento. Por exemplo: corte tardio do cordão umbilical, nada de injeção ou colírio, nada de banho, nada de pesar e medir imediatamente, contato pele-a-pele ininterrupto nas primeiras horas de vida. Tudo isso é mais fácil em casa do que no hospital, onde você terá que brigar com as enfermeiras e quebrar os protocolos para que seu filho tenha o tratamento que você deseja.
 
7) Você controla o ambiente: muitos hospitais não permitem que as gestante caminhem, uma vez que as deixam deitadas na cama, amarradas a monitores para que os profissionais possam ver e fazer o que eles quiserem, independente do conforto das mães. Em casa, você tem controle sobre o ambiente, basta dizer o que deseja, seja uma música ou luzes apagadas, que será providenciado! Quer ir lá pra fora passear no quintal ou caminhar pela rua? É possível!
 
8) Assistência um-para-um: há um mito que a assistência num hospital é melhor ou mais profissional. No hospital, a equipe está lá para atender várias parturientes e vários partos ao mesmo tempo. Na grande maioria das vezes, a gestante sequer conhece a equipe antecipadamente, o que torna o atendimento impessoal, frio e, até mesmo, demorado. Ninguém irá sentar ao seu lado para te dar apoio, te confortar ou simplesmente perguntar como se sente. Por isso, freqüentemente, o progresso do parto será mensurado por cálculos e tabelas do que deveria estar acontecendo, mas nem sempre acontece, pois cada mulher é única e deveria ser tratada como tal. Em casa com uma parteira a assistência é um-para-um, ou seja, a parteira está lá para cuidar exclusivamente de você, sem idas e vindas para atender outras pessoas. Ela vai permanecer durante todo o TP e parto ao seu lado, e só vai embora depois que o bebê estiver mamando. Além do mais, a parteira te acompanha desde o pré-natal, com longos encontros e conversas, criando um vínculo e um entrosamento anterior ao dia do parto em si.
 
9) Parto Domiciliar é seguro: parir em casa é seguro para gestantes saudáveis e de baixo risco. Pare para pensar: hospitais estão cheios de pessoas doentes, espalhando germes e vírus por toda parte, além de ser foco de bactérias resistentes a antibióticos. E mais, a atitude médica de estar sempre pensando numa possível complicação durante o parto, apoiadas pelos protocolos hospitalares impostos, impede que as mulheres tenham um parto fácil e seguro num hospital. As intervenções médicas que acontecem dentro de um hospital interferem no processo natural do parto e são justamente essas intervenções (ocitocina, analgesia, etc.) que representam riscos desnecessários à parturiente e ao bebê.
 
10) A comida: a comida da sua casa é muito melhor que a comida do hospital! O TP e o parto são exaustivos e consomem muitas calorias. Você precisa comer e beber durante esse período e nada melhor que comer aquilo que gosta, podendo inclusive deixar tudo previamente preparado para o dia do parto. Sem contar que, provavelmente, depois do parto você estará morrendo de fome de novo e em casa poderá comer a vontade, enquanto que no hospital terá que esperar a refeição ser servida, sem direito a repetir!
 
11) Parir em casa é mais barato! No Brasil*, os custos de um parto vaginal hospitalar com o médico obstetra da sua escolha são maiores que de um parto domiciliar com parteira (enfermeira obstetra). E nós sabemos muito bem que, hoje em dia, é praticamente impossível encontrar um médico que acompanhe parto vaginal pelo convênio.

*Aqui, eu adaptei à realidade brasileira, partindo do pressuposto que a gestante pagaria os honorários médicos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O que é uma doula?


Uma mulher que é acordada por uma sequência de mensagens de uma grávida completamente inexperiente - ainda que mãe do segundo - em vias de entrar em trabalho de parto.
A bolsa estourou em meados de dezembro, era previsível que o tempo estivesse imprevisível.
Chovia cântaros.
A doçura de seus dedos era tanta, que ultrapassava as frias telas dos celulares em curtíssimas mensagens de apoio, daqui à pouco estou aí.

Uma mulher que deixa filhos e marido em casa para atravessar a cidade na chuva e, sem nenhuma previsão ou expectativa de retorno, oferece-se integralmente como suporte no mais intenso dos rituais de passagem: o nascimento de um ser humano.

Retorno nenhum (fora aquilo que deveria ser para todos o mais valioso dos retornos: ser parte respeitosa do milagre da vida)
Não sabe quando ela vai voltar para os filhos.
Não recebe um valor expressivo em dinheiro.
Não é reconhecida pelo grupo social em que atua - para entender o que é uma doula simplesmente não adianta literatura, jornal, revista ou vizinha que te conte: é preciso ter recebido o acalanto toque de uma no mágico processo de parir um filho.

Sentada na bola, enquanto a gestante repousa na cama.
Deitada no chão, enquanto vão vencendo as contrações na água.
Ao pé da porta, olhando com carinho penetrante, aliviando cada contração com uma sugestão de posição para o corpo, atitude para a alma, alimento para o destino.

Por 48h que deixaram saudade.

Essa mulher está lá para fazer o que ninguém mais faz - olhar para a mãe. Cuja força, equilíbrio e vontades são tão volúveis quanto ignoradas no momento do parto.

Dedicação respeitosa à vida. É disso que se trata uma doula.



Retirado de Super Duper

terça-feira, 20 de novembro de 2012

9 razões para desmarcar a cesárea!



1 – Você não precisa dela


“Em 90% das vezes a mulher não precisa de cesárea, ela pode parir sem ela. Então para que marcar a cirurgia?”, questiona a obstetra Andrea Campos. Segundo a médica, os principais motivos para considerar fazer uma cesárea acontecem durante o trabalho de parto e não podem ser previstos com antecedência, como a dificuldade de o bebê descer

 pelo canal de parto. Outras indicações comumente usadas para justificar a cesárea geralmente podem ser contornadas, como circular de cordão (quando o cordão fica enrolado em torno do pescoço do bebê), que acontece em 30% dos casos. A ausência de dilatação, justificativa usada em grande parte das situações pode ser explicada pela falta de contrações regulares. Se a mulher está sem dilatação, provavelmente ainda não entrou em trabalho de parto, pois, para haver dilatação, é necessário haver contrações. Caso a mulher não entre em trabalho de parto, ainda é possível induzir as contrações com uso de hormônios injetados na veia ou com ruptura da bolsa, que pode estimular o início das contrações nas primeiras 24 horas.

2 – O bebê tem de estar pronto para sair


É muito comum acontecer um erro de cálculo e o bebê nascer com a idade gestacional abaixo do esperado. O médico pode achar que está tirando uma criança com 39 semanas e ela ainda tem 37 ou 38, por exemplo. Por mais que os ultrassons atuais sejam bastante precisos, isso ainda pode acontecer. O problema é que, se você fizer a cesárea antes que o bebê esteja pronto, os pulmões dele podem não estar prontos. Como os pulmões são os últimos órgãos a se formar, pode acontecer de eles não estarem maduros o suficiente para uma vida extrauterina. Aí podem acontecer casos de desconforto pulmonar: o bebê tem dificuldade de respirar e pode precisar da ajuda de aparelhos ou, ainda ter de passar um tempo na UTI. Segundo Laura Gutman, autora do livro A Maternidade e o Encontro com a Própria Sombra, o conceito de data provável de parto não pode ser levado ao pé da letra porque se trata de uma estimativa: “Realizar uma cesárea antes do início do trabalho de parto é uma prática perigosa, na maioria dos casos irá nascer um bebê prematuro.”

3 – Se o bebê não passa pelo canal vaginal da mãe ele deixa de receber bactérias importantes para a formação de seu sistema imunológico


Quando ele passa pelo canal sua pele é colonizada pelas bactérias da mãe. Esse contato é importante para a defesa do organismo porque, logo que vier ao mundo, já vai ter de lidar com bactérias estranhas ao seu organismo, como as do próprio hospital. Mas cuidado, esse contato pode também expor a criança a doenças transmissíveis pelo contato com a genitália da mãe como a hepatite B e C, HPV, herpes genital e HIV. Se a mãe fez o pré-natal direitinho, as chances de que o bebê contraia doenças desse tipo é muito menor. Uma das teorias é que o contato com as bactérias maternas seria um fator protetor contra alergias. Um estudo finlandês publicado no Journal of Allergy and Clinical Imunology mostrou que pessoas que nasceram de cesárea são três vezes mais suscetíveis a manifestar asma.
Outra pesquisa, feita na Alemanha e publicada no Pediatric Allergy and Immunology, descobriu que bebês que nascem por cesariana têm mais chances de desenvolver alergias alimentares até os dois anos de idade. Já um estudo feito em 2008, e que acompanhou crianças desde o nascimento até os 9 anos verificou que crianças nascidas por cesárea com pais que tinham alergia ou asma tinham duas vezes mais chances de desenvolver alergia e rinite alérgica. Uma pesquisa da USP levantou que, em crianças que nascem de cesárea, as chances de desenvolver um quadro de obesidade ao longo da vida aumenta em 58%.
O estudo acompanhou 2.057 pessoas do dia do nascimento aos 25 anos e descobriu que 15,2% dos bebês nascidos por cesariana estavam com o Índice de Massa Corpórea acima de 30 – o que indica obesidade. Entre aqueles que nasceram de parto normal, apenas 10% eram obesos. Outra doença mais comum entre pessoas que nascem de cesárea é a diabetes tipo 1. É isso o que diz um estudo da Queen’s University, no Canadá. Segundo a pesquisa, bebês nascidos por cesariana têm 20% mais chances de desenvolverem diabetes tipo 1.

Outro risco é de desenvolver doença celíaca, caracterizada pelo “autoataque” do organismo ao intestino delgado quando são ingeridos alimentos que contém glúten como trigo, centeio, cevada, aveia e malte. De acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Universidade de Medicina de Hannover, na Alemanha, a probabilidade de ter a doença celíaca é 80% mais alta em crianças que nascem por cesárea.

4 – Quem tem que decidir a hora de sair é o bebê


“Quando o bebê está pronto, ele dá o ‘start’ para o trabalho de parto”, defende a obstetra Andrea Campos. Durante o trabalho de parto, o bebê sofre influência de uma cascata hormonal, com as contrações ele recebe a massagem intrauterina e é avisado de que vai nascer e pode se preparar até que finalmente nasça. “E, para passar pela bacia, o bebê ajeita sua cabeça, descendo de uma maneira ativa pelo canal de parto. Na cesárea isso não acontece, o bebê nasce de maneira passiva porque é retirado do útero”, completa.

5 – Se ele não recebe a massagem nos pulmões ao sair, o risco de desconforto respiratório aumenta


No parto normal, a passagem pelo canal vaginal comprime o tórax do bebê e estimula a saída do líquido amniótico para que o ar possa entrar. Se isso não acontece, o bebê fica com dificuldade para respirar e tem de receber oxigênio artificialmente ou ser entubado. Os casos de desconforto respiratório correspondem a 60% das internações na UTI Neonatal. “Aproximadamente 12% dos bebês que nascem de cesariana eletiva (a cesárea marcada) vão para a UTI. No caso dos bebês que nascem de parto normal, o número cai para 3%”, conta Renato Kalil, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana.

Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), fetos de 37 a 38 semanas de gestação possuem 120 vezes mais chances de apresentarem desconforto respiratório desta ordem em comparação aos fetos com mais de 39 semanas.

6 – No pós-parto a recuperação é mais lenta e dolorosa


O tempo de internação do parto normal é de 48 horas após o nascimento, para a cesárea este número sobe para 72 horas. E, enquanto depois do parto normal já dá para retomar as atividades de rotina no dia seguinte, na cesárea o tempo para realizar tarefas simples como dirigir podem levar até dez dias. O corte da cesárea atinge sete camadas de pele, tecido e músculo até chegar ao bebê. São eles: pele, gordura, fáscia muscular, músculo, peritônio parietal, peritônio visceral e útero. Depois de retirar a criança, cada camada é costurada separadamente. Ao todo são cerca de 75 pontos. O abdômen fica distendido e a mulher sente dor por duas ou três semanas.

7 – A cesárea oferece maior risco de complicações maternas


Sendo uma cirurgia de médio porte, a cesárea oferece todos os riscos de uma cirurgia, seja durante a operação em si, durante o período de analgesia ou no pós-operatório. Como em todas as cirurgias, existe o risco de sangramentos, complicações e infecções. Na cesárea a mulher perde cerca de um litro de sangue, o dobro do parto normal. Dados divulgados pela ANS atestam que a mortalidade materna é 2,8 vezes maior nas cesarianas eletivas sem emergência do que no parto vaginal.

8 – A cesárea aumenta os riscos de complicações na próxima gravidez


Se a mulher já fez uma cesárea há o risco de que ela tenha placenta prévia, que é a fixação da placenta em um lugar indevido da parede uterina causando maior risco de hemorragia (por vezes ela se aloja no colo do útero e a mãe precisa ficar em repouso absoluto) e prematuridade. Entram para a lista de riscos a placenta acreta, que é quando a placenta se fixa à parede do útero intensamente, provocando hemorragia ao sair. A mãe pode precisar de transfusões sanguíneas e ter ruptura uterina ou até precisar retirar o útero, impossibilitando-a de ter mais filhos.
Insistir na cesárea é algo comum, não é à toa que a gente ouve falar: “uma vez cesárea, sempre cesárea”. Mas é possível, sim, fazer um parto vaginal depois de uma (duas, três…) cesárea(s). Apesar disso, nos Estados Unidos, a incidência de cesáreas recorrentes é de 92%. Em média, 66% das mulheres que fazem cesárea por lá poderiam ter tido o segundo filho por VBAC, sigla para Vaginal Birth After Caesarean (parto vaginal depois de cesárea), mas a maioria escolhe a cesariana novamente.

9 – O leite demora mais para descer


A ocitocina, um dos hormônios que provocam as contrações também é responsável pela descida do leite, razão pela qual a taxa de sucesso na amamentação é maior nas mulheres que tiveram parto normal. Depois do parto normal já é possível colocar o bebê sobre o corpo da mãe, sugando o peito. Na cesárea isso não é possível porque o abdômen da mãe está aberto e tem que ser fechado depois da saída do bebê.
A Organização Mundial da Saúde aconselha que o bebê mame já na primeira hora de vida e isso acontece com maior freqüência com crianças que nascem de parto normal. Segundo estudo da Fiocruz isso acontece com 22,4% dos bebês que nasceram por parto normal contra 5,8% dos bebês que nasceram por parto cesariano. Ainda de acordo com o estudo, a primeira mamada pós-parto demora em média quatro horas para mães que fizeram parto normal e dez horas para aquelas mães que tiveram seus bebês por cesárea. Sem contar que, caso o bebê nasça prematuro por erro de cálculo na data ideal de nascimento, pode ainda não conseguir sugar o seio e precisar receber alimentação artificialmente. Claro que muitas mulheres que fizeram cesárea amamentam sem problema, mas que é um fator desfavorável a mais, isso é.

sábado, 1 de setembro de 2012

A dor de um parto



Ter um parto normal é quase que um fenômeno nos dias atuais. É interessante ver a cara de espanto das pessoas quando se diz isso: foi parto normal.

Como é que uma coisa tão natural, de repente se torna algo tão estranho? Porque o normal hoje em dia é fazer parto cesáreo?
A maioria das mulheres aprendeu a desacreditar de seu poder. A mídia, os amigos, a família, colocou na cabeça delas que o nascer é um procedimento médico cirúrgico. Você gera o serzinho por nove meses, marca um dia e hora no hospital e sai de lá com um lindo bebezinho nos braços. Coisa mais linda de viver, não questiono isso.
Mas o que é realmente parir? Será que no "parto" cesáreo a mulher realmente "pari" seu filho? Tenho minhas dúvidas... Acredito que a cesárea é realmente a forma pela qual o bebê nasce. Mas acredito que o parir vai além desse procedimento médico.

Não sei como, mas com certeza com um grande interesse financeiro por trás de tudo isso, tiraram o poder da mulher. Colocaram na sua cabeça que parto normal é coisa de "pobre". Que parto normal é anormal, Que parto normal dói.


Tudo bem, parto normal dói? Já te respondo, dói sim.

Mas e cortarem sete camadas de pele não dói? Lá vem a faca e lá se vão pele, gordura, fáscia muscular, músculo, peritônio parietal, peritônio visceral e útero. (Sim, eu pesquisei no Google!). Lá vem aproximadamente 75 pontos! E você me diz que isso não dói? Lá vem 15 dias de recuperação até os setenta e cinco pontos "caírem", e você ainda quer que eu acredite que isso não dói? Lá vem o bebê chorando, com fome, se apoiando em cima dos seus setenta e cinco pontos. Lá vai você receber visitas com seus setenta e cinco pontos. Lá vai você dar o primeiro banho e acordar a noite para amamentar com seus setenta e cinco pontos.

Você ainda quer que eu acredite que isso é o melhor no nascer?

Ainda sou obrigada a descrever que o risco de infecção de uma cesárea é cerca de 7 a 10 vezes maior do que no parto normal. A chance de complicações graves, como abertura de pontos, sangue coagulado, infecção no corte ou até generalizado (o que pode levar a morte) é 30 vezes maior na cesárea do que no parto normal (São Google, o pai dos burros que me disse.).
E ainda sim, nos fizeram acreditar que isso é o melhor para nós.
Peloamordedeus, não quero julgar aqui qualquer mulher que tenha tido parto cesáreo. Acredito que o parto cirúrgico salva muitas vidas e deve ser amplamente usado, quando necessário.

Acredito que quanto mais mulheres escrevem seus depoimentos sobre o parto normal, escreverem em blogs e sites, conversarem com as amigas sobre isso, mais e mais outras mulheres se permitem acreditar na capacidade de parir naturalmente e assim começam a buscar informação e pessoas de confiança para acompanhar esse momento sagrado que é o parto. 
Por isso insisto nesse tema.

Mas comecei toda essa lenga lenga aí para falar sobre uma coisa: a dor de um parto. 


A maior curiosidade quando se fala que teve um parto normal é: DÓI?

Simples assim, uma só palavrinha, mas tão cheia de significado. A resposta é simples também, DÓI!! É claro que dói. Mas não se preocupa, não é uma dor insuportável. Você aguenta, rsrsrs.

Sabe, se eu aguentei, acho que toda mulher aguenta. Porque eu sou fresca. Eu não depilo com cera porque dói. Se tiram um bife da minha cutícula eu reclamo. Quando meu seio rachou eu pensei que fosse morrer. Se eu tô com dor na coluna fico insuportável. Se bato o dedinho do pé grito mais do para parir.

Mas a dor do parto é diferente. É uma dor com um propósito sublime. E no final o que você mais quer é sentir logo essa dor, que ela dilate logo os 10 cm. Você quer logo que o médico diga: faz força!

Quer ver logo o rostinho do bebê, pegá-lo nos braços e morder aquele pézinho magricela.
E nessa hora você é tomada de uma força, que eu não sei explicar. Parece que é uma força não vem da mulher, vem do bebê, da vontade de vir ao mundo, no momento exato em que ele se achou pronto.

Eu defendo essa dor, essa dor compreendida e desejada. A dor de um corpo que gerou outro corpo, por longos nove meses, a dor do alívio, a dor do nascer.
Mulheres não se preocupem tanto com a dor. Várias outras mulheres conseguiram antes de nós.

Nosso corpo foi feito para isso, útero para contrair, o cólo para dilatar, a bacia para abrir, a vagina para dar passagem para um novo ser.


Nós somos capazes e ninguém poderia ter nos tirado isso.


E para terminar essa frase que acho muito sábia e que no final diz tudo sobre "essa tal dor":


"A dor do parto é uma dor muito sábia. Vem e vai a cada contração, como as ondas do mar, oferecendo um tempo abençoado para respirar e descansar até o proximo mergulho. Aos poucos a maré sobe e as ondas crescem, ficam imensas e precisamos da humildade da entrega, de oferecer corpo e alma à prova máxima da natureza humana."


Eleonora de Moares

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Abrindo um parênteses, aplaudo aqui todas as mulheres que sofreram as dores de uma contração, ou melhor, várias contrações, e infelizmente depois acabaram sendo submetidas ao parto cesáreo. Aplaudo aqui sua força, seu desejo de parir e seu respeito pelo tempo do bebê. É com pesar que ainda vemos mulheres poderosas que não foram apoiadas por uma equipe médica competente nesse momento tão decisivo. Infelizmente a maioria das mulheres que desejam um parto normal ainda acabam em um procedimento cirúrgico.